Privatizações alemãs na saúde

Autor:

Contrepoints

 

Texto tirado e traduzido de:

http://www.contrepoints.org/2012/02/22/70152-la-privatisation-des-hopitaux-lexemple-allemand

 

A experiência alemã mostrou que a participação do sector privado e a procura do lucro, ao contrário dos receios generalizados pelo Quebeque, estão associadas a uma melhor qualidade de atendimento e podem aumentar a eficácia dos estabelecimentos com baixo desempenho.

Como ainda nos lembramos das manchetes dos últimos dias, o congestionamento nas emergências e o tempo de espera para a cirurgia não tem diminuído no Quebeque. No entanto, outros países desenvolvidos têm tido mais sucesso em gerir estes problemas recorrendo ao sector privado.

Um número considerável de hospitais públicos em dificuldades financeiras foram privatizados na Alemanha nas duas últimas décadas. A parte de hospitais privados, com fins lucrativos, passou de 15% para 33%. Como demonstra Frederik Roeder, um economista ligado à saúde, esta alteração permitiu uma melhoria na qualidade de atendimento sem comprometer o acesso à saúde.

“Ao contrário de uma preocupação generalizada no Canadá, os hospitais privados não “deixaram o serviço a meio”, em termos de qualidade dos serviços para reduzir os seus custos. Os estudos mostram que o sucesso destas instituições baseou-se na sua reputação: uma melhor qualidade de cuidados permitiu-lhes atrair pacientes e a obtenção de lucros”, enfatizou o Sr. Roeder. Por exemplo, o organismo responsável pela supervisão da qualidade de atendimento na Alemanha tem aumentado 9% de mais problemas em hospitais públicos que em hospitais privados, para fins lucrativos.

O Canadá e a Alemanha partilham os mesmos valores de universalidade de atendimento de saúde e ambos gastam aproximadamente 12% de seu PIB em saúde. Por contraste, no plano de cuidados, os alemães são muito melhor servidos. “As listas de espera para emergências são fenómenos que não existem na Alemanha”, salientou o autor.

Para melhor atender as necessidades dos pacientes, os hospitais privados alemães têm por exemplo reduzido o número de casos por médico a uma taxa cinco vezes mais rápida que os hospitais públicos. Dez anos mais tarde, os médicos podem passar 25% de tempo a mais com os seus pacientes. Além disso, é de notar que os serviços dos hospitais privados têm gerado ganhos de eficiência de 3,2% a 5,4% superiores aos dos hospitais públicos.

“A presença de agentes privados na saúde melhora a qualidade dos cuidados prestados aos pacientes, sem que qualquer um deles seja deixado para trás. A Alemanha é a prova disso, pois tem integrado uma proporção significativa de hospitais privados no interior do seu sistema de saúde, mantendo, no entanto, um limite de financiamento público comparável ao do Canadá.”, afirma Michel Michel Kelly-Gagnon, presidente e director-geral do IEDM.

O artigo económico intitulado “O sector privado no sistema de saúde pública: o exemplo alemão”, preparados por Frederik Ciro Roeder, um economista ligado à saúde, em colaboração com Yanick Labrie, economista do IEDM, pode ser consultado gratuitamente no site do IEDM.

 

About the author

André Pereira Gonçalves

Colaborador do Instituto Ludwig von Mises Portugal, estudante em Direito na Universidade de Friburgo (Suíça), anarco-capitalista jusnaturalista.