Bastiat esteve em Lisboa!

“Mas, enquanto em Madrid e Lisboa, Bastiat viu outras nações cometerem os mesmos erros que tinha presenciado em França. Nesse processo, desenvolveu um ouvido apurado contra argumentos ridículos pró-tarifas-alfandegárias. Mais tarde descreveu as suas impressões sobre as legislaturas de Espanha e Portugal:

“Alguns anos atrás em Madrid, participei numa sessão das Cortes. O assunto em discussão era um tratado com Portugal para melhorar a navegação do Douro. Um dos deputados levantou-se e disse:

 

“Se o Douro for mais facilmente navegável, os custos de transporte de cargas baixarão. O grão português, consequentemente, será vendido a um preço mais baixo nos mercados de Castela e proporcionarão uma concorrência formidável à nossa indústria doméstica. Eu oponho-me ao projecto a menos que os nossos ministros concordem em aumentar os direitos aduaneiros, de modo a restabelecer o equilíbrio. A assembleia achou este argumento irrespondível.”

Três meses depois, eu estava em Lisboa. A mesma pergunta foi a discussão no Senado. Um grande fidalgo levantou-se e disse:

 

Sr. Presidente, o projecto é um absurdo. A grande custo mantemos guardas ao longo das margens do Douro para evitar uma invasão de Portugal pelo grão castelhano, e, ao mesmo tempo propõe-se, mais uma vez a grande custo, facilitar essa invasão. É uma incoerência com a qual não posso concordar. Deixemos o Douro para os nossos filhos nas mesmas condições que os nossos antepassados ​​o deixaram para nós.”

Bastiat nunca deixou de se maravilhar com as desculpas que os homens arranjavam para avançar com práticas destrutivas que limitavam o comércio. Depreende-se que Espanha e Portugal seriam protegidos a todo custo contra os efeitos nocivos de grão barato e abundante! ”

Excerto de: George Charles Roche III. “Frederic Bastiat: A Man Alone.” Arlington House, 1971. iBooks.

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Carlos Novais

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Bastiat, o génio, e a Lei - Instituto Ludwig von Mises Portugal - 2016-09-19

[…] Bastiat antecipa assim o surgimento dos regimes ditatoriais (comunistas, fascistas e o nazista) do século XX, inspirados nas ideias desses autores como o Estado controlar totalmente o Indivíduo, acabar com os que são contrários às nossas ideias, a Justiça como sendo aquilo que diz a Lei em vez do oposto, entre outras. Como Bastiat diz no fim do livro, ele e os defensores da liberdade têm a seu favor a teoria com a moralidade, dado que apenas defendem que uns não interfiram na vida dos outros através do Estado (respeitem os direitos negativos), e a prática com a experiência, dado que já naquela altura, tal como agora, os países mais prósperos eram aqueles onde o Estado interferia menos na iniciativa privada. Portugal, tal como hoje, não era um país lá muito livre economicamente, algo a que Bastiat pôde até assistir enquanto esteve em Lisboa. […]

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