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Cliché #12 – “Prefiro a Segurança à Liberdade”

Muitas pessoas desviam-se inconscientemente para o socialismo, seduzidos por suposições que nunca testaram. Uma popular mas enganadora suposição é que a segurança e a liberdade são mutuamente alternativas exclusivas – ao escolher uma abandona-se a outra.20140703_securitydetail (2)

Nos Estados Unidos, durante o ultimo século, mais pessoas atingiram maior segurança material do que os seus antepassados alguma vez conheceram em sociedades passadas. Um grande número de pessoas neste país acumulou um pé-de-meia confortável, para que “faça sol ou faça chuva” – perante depressões, velhice, doença, ou o que quer que seja – podem contar com as poupanças do seu trabalho (e/ou dos membros da sua família, amigos ou párocos) para os auxiliar durante contratempos momentâneos. Graças à liberdade sem precedentes de escolha, oportunidades sem paralelo, uma vivência prudente e o direito ao fruto do seu trabalho – propriedade privada – permitiram enfrentar as diversas exigências que surgem ao longo da vida.

Pensamos nestes feitos pessoais invejáveis como segurança. Mas este tipo de segurança não é uma alternativa à liberdade; é antes uma consequência natural de liberdade. Esta segurança tradicional provém da liberdade tal como uma bolota provém de um Carvalho. Não é um caso de senão/ou; um sem o outro é impossível. A liberdade constrói o palco para toda a segurança disponível neste mundo incerto.

No entanto, a segurança no sentido tradicional não é o que os progressivos estão a falar quando perguntam: “Não preferias segurança à liberdade?” Eles têm em mente o que Maxwell Anderson chamou “a vida garantida,” ou o arranjo descrito por Karl Marx, “de cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades.” Sobe este pretexto o aparato político, não tendo nada à sua disposição exceto a força policial, utiliza esta força para retirar a propriedade dos mais afortunados de forma a distribuir o saque pelos mais desafortunados. Na teoria, pelo menos, é muito simples – um procedimento nivelador!

Reconhecidamente, este procedimento parece atrair milhões dos nossos concidadãos. Alivia-os, assumem eles, da necessidade de tomar conta deles próprios; o tio Sam está de plantão com sacos de liberdades coercivamente cobradas.

Para os desatentos parece uma escolha entre segurança e liberdade mas, na verdade, é a escolha entre a autorresponsabilidade de um Homem livre ou a segurança escrava de um amparado governamental. Assim sendo, se uma pessoa diz, “Prefiro ser um amparado do governo do que exercer a minha liberdade,” ele estaria pelo menos a declarar as alternativas utilizando os termos corretos.

Não é necessário sermos um profundo sociólogo para reconhecer que o tipo de “segurança” garantida governamentalmente impossibilita a liberdade das três partes envolvidas. Aqueles aos quais é retirado a propriedade é obviamente negado a liberdade para usufruírem do que ganharam fruto do seu trabalho. Em segundo lugar, pessoas a quem é dado propriedade – estão a abdicar da mais importante razão para viver: a liberdade de ser responsável por si mesmo. A terceira parte nesse arranjo – o autoritário que retira e dá – também perde a sua liberdade.

Nem é preciso ser um economista proficiente para perceber como uma vida garantida leva à insegurança geral. Sempre que o governo assume a responsabilidade pela segurança, bem-estar e prosperidade dos cidadãos, os custos do governo sobem para além do ponto em que torna politicamente conveniente cobri-los através da imposição de impostos diretos. Neste momento – cerca de 20 a 25% do rendimento ganho pelas pessoas – o governo recorre ao financiamento dos défices e inflação. A inflação – aumento da emissão de papel-moeda pelo governo para cobrir défices – representa a diluição do poder de compra do dinheiro. Este processo leva a que todas as “garantias” se tornem inúteis resultando numa insegurança generalizada.

As verdadeiras e reais alternativas são insegurança ou segurança. Insegurança resulta da transferência de responsabilidade do próprio para outros, particularmente quando transferido para um governo caprichoso e arbitrário. Segurança genuína é uma questão de autorresponsabilidade, baseada no direito aos frutos do seu trabalho e à liberdade para trocar.

 

Leonard E. Read

Fundador e Presidente

Fundação para a Educação Económica, 1946-1983

Texto tirado e traduzido a partir de:

#12 – “I Prefer Security to Freedom”

About the author

Michael Silva

Licenciado em Gestão e Administração Pública pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas e Pós Graduado em Marketing pelo IPAM. Interesso-me pelos conceitos inerentes ao Liberalismo Clássico: respeito pela liberdade e responsabilidade individual, Estado reduzido, paz e mercados livres. Colaborador do Instituto Ludwig von Mises Portugal, trabalhando essencialmente no Departamento de Traduções.