As pessoas queixam-se frequentemente que a humanidade está a destruir a Terra: que o consumo insaciável e produção inexorável têm devastado insubstituíveis trechos do nosso planeta e que estas atividades têm que parar ou um dia desaparecerá.
O que levanta a questão: O que significa “destruir” algo?
Quando queima um tronco ele é destruído, mas o calor, luz, fumo e cinzas são criados. É neste sentido que a física nos diz que a matéria nem é criada nem destruída. Da mesma forma cortar uma floresta destrói a floresta mas, no seu lugar, erguem-se casas, móveis e subúrbios.
A verdadeira questão é: vale a pena?
O que as pessoas realmente querem dizer quando afirmam que a humanidade está a destruir a Terra é que a ação humana causa uma mudança que eles não gostam. É estranho dizer que a minha esposa, ao comer um pedaço de tosta ao pequeno-almoço, está a “destruir” a tosta. Mas se eu próprio quisesse essa tosta, poderia considerar o seu ato como destrutivo. É a mesma ação mas a interpretação depende do objetivo e contexto.
Quando um míssil destrói um edifício e mata as pessoas lá dentro, pode servir um objetivo politico, apesar de amigos e familiares dos mortos e os proprietários do edifício serem também prejudicados. O ganho do autor é um prejuízo para a vítima. Na esfera politica, ganho de um é necessariamente a perda de outro. Assaltas Pedro para pagar a Paulo; assassinas Jack para agradar a Jill. É um “jogo de soma zero”.
No entanto, na esfera económica, algo é destruído na medida em que perde a sua utilidade para alguém. Alguém pode querer arrasar o meu lar encantador apenas por diversão. Se me pagar o suficiente é possível que eu o permita e até fique feliz por ele o ter feito. Quando não coagido fisicamente, uma troca não acontecerá sem que cada parte esperar beneficiar. Se por acaso acontece e se as pessoas que participaram na troca estão de acordo então todos de facto ganharam. Cada um está melhor do que estava. A troca criou algo: valor. Se estão errados, destroiem valor e sofrem uma perda, incentivando-os a evitarem cometer erros.
Em mercados livres, ganhos manifestam-se nos lucros, quer sejam estes monetários, quer psicológicos (a curto prazo, podes sustentar uma perda monetária se achares que existe um aspeto não monetário que valha a pena trocar para preservar o lucro). O mercado livre não é perfeito, apesar do que alguns professores de economia defenderem os benefícios de uma tal “competição perfeita”. As pessoas não têm acesso a informações completas ou perfeitas e por isso cometem erros. Trocam quando não devem, ou não trocam quando devem. Felizmente, os lucros e prejuízos servem como feedback para orientar as suas decisões.
Há outra fonte de imperfeição no mercado. As pessoas podem ter a capacidade de tomarem boas decisões mas não trocam, ou trocam demais, porque os direitos de propriedade relativos às coisas que gostariam de trocar não estão bem definidas ou não são aplicadas eficazmente. Em tais casos as suas ações ou inações criam custos que não suportam ou benefícios que não recebem. O resultado é que as suas decisões acabam destruindo valor.
Se eu aproveitar-me do oceano de forma parasitária – se, por exemplo, eu não pagar pelo despejo de lixo no oceano – então o oceano ficará mais poluído do que deve. Se existirem fontes de energia mais limpas e eficientes do que combustíveis fósseis, mas ninguém poderá lucrar com eles porque o Estado os impede (por exemplo via proibição ou tributação excessiva) então o valor que poderia ter sido criada nunca aparecerá.
A nossa sensação estética é parte do que nos faz humanos. Se desejamos proteger um lago ou vale em exploração porque pensamos ser belo, como devemos proceder?
Até certo ponto é possível fazer o que a Conservação da Natureza (Nature Conservacy) faz e comprar terra que queremos proteger. No entanto, isto nem sempre é possível, especialmente quando a terra é controlada não por privados mas pelo Estado, que faz negociatas especiais com capitalistas de compadrio denominadas de explorações público-privadas. De qualquer forma, até o livre mercado é imperfeito. Desenvolvimento económico e bem-estar material significam que algumas belas paisagens e recursos insubstituíveis sofrerão alterações com as quais nem todos concordarão.
No entanto, lembra-te que a economia ensina-nos que a ação resulta da busca de algo por alguém. Não existem custos, benefícios ou valores intangíveis. Num mundo de escassez, João acredita que proteger as florestas tropicais é mais importante do que salvar as baleias. A Maria acredita no oposto. Se pretendemos ultrapassar divergências sobre questões estéticas – essencialmente diferenças de opinião – que pode transformar-se em conflito violento, precisamos de encontrar alguma forma de resolver as nossas diferenças pacificamente; alguma forma de as transformar em interações que gerem valor.
Apesar de imperfeito, o mercado livre tem sido até ao momento o método mais eficaz que conhecemos para o conseguir.
Sandy Ikeda
Professor Adjunto de Economia
Universidade Purchase, SUNY
Texto tirado e traduzido a partir de:
#15 – We Are Destroying the Earth and Government Must Do Something