No Estádio de Bastão, Em Casa Sem… Razão

V1doMbc“O povo não deve temer o seu Estado. O Estado deve temer o seu povo.”

V for Vendetta, 2005.

 

As sementes de Salazar, os colaboradores e informadores do antigo regime, os beatos da sargeta estatal, aqueles que odeiam (ou temem) a liberdade e toda a sua magnificência, todos eles se regozijaram aquando das bárbaras agressões deste domingo em Guimarães. Dizia-nos um certo cantor português, que, hoje eles vestem as cores de conhecidos partidos.

Mas não foram os únicos a fazê-lo. Um pouco por todas as redes leram-se comentários de ódio (como aqueles do “alguma coisa o sacana deverá ter feito para comer”, ou a minha favorita, “quem não quer problemas não leva os filhos para a bola”).

 

 

Gostava de conhecer o Comandante Subcomissário Filipe Silva, autor da barbárie acima…

Gostava de lhe perguntar como pode negar o conteúdo das imagens: imagens que mostram a criança de 9 anos, afogueada, a receber ajuda do seu pai, do seu avô e do seu irmão.

Gostava de lhe perguntar se, aquilo que nenhuma câmara captou, a ser eventualmente verdade, justificaria a tareia que o empresário de Matosinhos recebeu (e que vai contra os próprios códigos deontológicos da PSP – por exemplo, o de não atacar à bastonada acima da linha da cintura). Ou do porquê de, no auto da PSP, constar que o Subcomissário utilizou a “técnica das mãos vazias” contra o idoso, quando este último recebeu dois socos na cara.

Eram dezenas as perguntas que gostaria de colocar ao senhor agente da autoridade. Autoridade essa, que só existe para nos proteger, e nada mais. Autoridade essa, que existe para salvaguardar os valores da vida, da propriedade e da liberdade. Ou não?

Este polícia continua ao serviço da PSP de Guimarães.

Como pode o corporativismo da PSP estar a fazer de tudo para descredibilizar José Magalhães, ao ponto de forjar deliberada e criminosamente o suposto passado “violento” do empresário de Matosinhos?

Deixem-me então regozijar com os milhares de portugueses que, por outro lado, expressaram palavras de apoio a José Magalhães e à sua família, brutalmente agredidos às portas do Estádio D. Afonso Henriques. O humanismo não morreu esta semana – do mal, o menos.

O que mais me preocupa são os outros casos, alguns até piores do que este, mas que por não serem filmados, não recebem o mediatismo justificado.

 

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Polícia de Segurança Pública?

 

Este ano, João Freitas – que por acaso até é meu conhecido – ficou cego de um olho, após um agente da PSP o ter agredido de cotoveleira na face. Até hoje, a PSP não veio ainda a público justificar esta agressão (como se algo justificasse retirar a faculdade da visão a alguém).

O facto de também ter sido à entrada do Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, é um mero acessório ao qual o leitor se deverá abstrair (ou não?).

Disse ao Diário de Notícias o ex-advogado de 34 anos, que se viu obrigado a abandonar a sua profissão por questões de saúde:

 

Estava fora do autocarro a aguardar pelo meu irmão, que ficou para trás, quando um agente disse “Não pode estar aqui!” e, ato contínuo, deu-me um encontrão que me atirou ao chão. Foi mais do que um agente a bater-me e muitos a assistir. Fui espancado e deixado no chão até vir a ambulância que me transportou para o hospital. Não disse nada que provocasse aquilo. Tal como acredito que o adepto do Benfica também não tenha dito. As imagens que vi no domingo na televisão fizeram-me reviver tudo“.

 

O Instituto Mises Portugal (IMP) apurou, junto de fonte próxima da vítima, que João Freitas estará em risco de ter de remover o olho afectado, sob risco de infecção.

Por isso o presidente do IMP, Ricardo Lima, defendeu que as forças de autoridade em Portugal deviam possuir uma câmara integrada nos seus uniformes, de forma a captar todo o seu dia-a-dia de trabalho.

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Só desta forma o cidadão poderá controlar e impedir que mais abusos de autoridade aconteçam. Só desta forma podemos fazer com que casos como o de João Freitas, ou de José Magalhães e de seus filhos, não se repitam.

“Quis custodiet ipsos custodes?” (trad.: quem guardará os guardas?). Pergunta que a nossa Ministra da Administração Interna deverá ser obrigada a responder ao povo, pelo povo, brevemente.

Mas este domingo despoletou algo maior… Algo maior do que eu, do que o leitor, ou do que o próprio Comandante da PSP, fã número um de Mike Tyson. Este domingo ergueram-se precedentes periclitantes… Este domingo, o povo percebeu que ainda tem uma linha de defesa contra a opressão. Essa linha é a livre iniciativa: desde o fulano que filmou tudo, até aos milhares que divulgaram pela internet; desde os que enviaram mensagens fraternas à família brutalizada, até aos que iniciaram esta petição de Justiça. Esta semana percebemos que não somos feitos de cristal, percebemos que podemos retaliar.

Enquanto isto, o Leviatã treme… Treme muito. E que tenha muito medo. Ou deveremos ser nós a temer o Estado? Fica ao cuidado do leitor fazer esse juízo individual…

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Nota: este artigo configura a opinião do autor, não vinculando, necessariamente, a posição do IMP sobre o tema.

About the author

Guilherme Marques da Fonseca

Vice-presidente fundador do IMP. Economista, empreendedor e financeiro. Contacto: guilherme.fonseca@mises.org.pt