• Home  / 
  • Outros
  •  /  Cliché #19 – “Um Estado Pesado é Necessário para Supervisionar os Grandes Grupos Económicos”

Cliché #19 – “Um Estado Pesado é Necessário para Supervisionar os Grandes Grupos Económicos”

20140821_oildetailHá um mito que hoje percorre os EUA e que é o seguinte: os grandes grupos económicos detestam o Estado e anseiam por um mercado desregulado. No entanto, a realidade é precisamente oposta: um Estado grande e pesado pode ser altamente lucrativo para os grandes grupos económicos.

Muitas regulações restringem a competição que de outra forma poderiam desafiar os incumbentes. Em simultâneo, instituições governamentais – muitas criadas durante o New Deal – canalizam dinheiro para as maiores empresas.

Quando o governo regula a indústria X, impõe um alto custo que prejudica as empresas mais pequenas e reduz a competição. Imagine que o Departamento de Energia impõe uma nova regra na qual todas as máquinas de lavar loiça têm que ser energeticamente mais eficientes. Alterar o design e reequipar a linha de montagem para produzir os novos modelos e contornar os formulários e licenças em torno destas regras pode custar ao fabricante milhares de dollars. Um gigante industrial com mais receitas e margens pode absorver este custo. Uma pequena empresa de fabrico de máquinas de lavar com apenas 1 a 2 anos, com poucas receitas e menos lucros não consegue. Esta teria que obrigatoriamente encerrar o que significa menos competição para o gigante, permitindo a este crescer ainda mais e obter mais quota de mercado.

As barreiras à entrada, como licenciamento caro, também prejudicam start-ups e reduz competição. A revista progressista New Republic abordou de uma forma positiva o caso da Dwolla – uma start-up de Iowa que processa pagamentos e compete com agências de crédito – que teve que pagar 200.000 USD (179.000 ,00 EUR) por uma licença para operar. Em vez de contratar empregados ou desenvolver um melhor produto para competir com o incumbente, Dwolla foi forçada a gastar milhares de dollars por uma mera declaração para poder operar. Dwolla conseguiu pagar; mas quantos competidores com menos recursos foram forçados a abandonar o mercado? Quantos foram dissuadidos de criar um negócio neste setor devido a esta barreira de entrada?

Para as grandes empresas, que tipicamente sacrificam agilidade por dimensão, pequenos competidores são uma grande ameaça. Ao limitarem pequenos competidores, os governos ajudam os gigantes da indústria em prejuízo dos restantes players no mercado. Barreiras à entrada podem matar uma empresa inovadora antes que se torne um perigo para a sua competição. Quando isto acontece nem nos apercebemos: a empresa morta à nascença é um exemplo clássico dos custos “invisíveis” da regulação.

Enquanto regulações minimizam a competição, entidades governamentais subsidiam grupos empresarias. O Banco Export-Import, fundado em 1934 como parte do New Deal, existe para subsidiar exportações de empresas Norte Americanas. Os principais beneficiários? Grande corporações. Por exemplo, de 2009 a 2014, este banco financiou mais de um quarto dos aviões da Boeing. O Farm Bill (projeto de lei agrícola) um elemento chave do New Deal que ainda hoje existe, subsidia grandes quintas agrícolas em prejuízo das pequenas. O programa utiliza uma variedade de métodos, desde seguros a pagamentos diretos para subsidiar agricultores. O programa está ostensivamente desenhado para proteger pequenos agricultores. No entanto, 75% do total de subsídios – 126 Biliões USD (113 mil milhões EUR de 2004 a 2013 – foram canalizados para apenas 10% das empresas agrícolas. O programa taxa consumidores de forma a canalizar dinheiro para grandes agricultores.

Estes programas não são únicos. Tim Carney, licenciado pelo Centro Nacional de Jornalismo, argumenta que “a história das grandes empresas é de cooperação com um Estado pesado.” Na altura de Teddy Roosevelt, grandes produtores de carne fizeram lobby para que houvesse inspeções federais à carne, sabendo que os custos em torno da sua observância eram incomportáveis para os concorrentes mais pequenos. A legislação do New Deal foi apenas possível graças à Camara de Comércio e Associação de Banqueiros Americanos. O plano Marshall, que subsidiou a venda de biliões de dollars de bens na Europa, foi implementado por um comité de empresários. O presidente Johnson criou o Departamento de Transporte em 1966, contrariando a oposição de interesses das frotas navais existentes ao aceitar isentá-las de novas regras. Regulações dispendiosas para eles mas não para mim.

Se os progressistas pretendem ver o que é um livre mercado, basta olharem para a Internet. Nos últimos 20 anos, não tem sido regulado. O resultado? Start-ups nascem, florescem e morrem todos os anos. Novos concorrentes como o Facebook destronam grandes incumbentes como MySpace que por sua vez são desafiados por uma panóplia de competidores de social media. A Yahoo era rei dos motores de busca até dois universitários fundarem a Google. A Google foi recentemente acusada de atividades monopolistas mas competidores como DuckDuckGo nascem todos os dias.

Imaginemos que a Internet – um espaço de destruição criadora – tenha estado sujeita às garras do Estado como outras empresas noutros setores. A Yahoo teria sido subsidiada. A Facebook teria pago centenas de milhares de dollars para obter uma licença, esmagando o Zuckerberg quando ainda estudante universitário e permitindo que o MySpace preservasse o domínio no mercado. Teria sido permitido às empresas, que aprenderam a jogar o jogo do lobbying, escreverem regulações para esmagarem os seus competidores.

Para aqueles que duvidam, a prova de conluio entre empresas e estados é mais do que evidente. Desde 2014, um número surpreendente de homens e mulheres tendencialmente libertários estão no Congresso dos EUA. Como é que as grande empresas responderam? Lobistas têm gasto milhões de dollars trabalhando para substituir defensores de laissez-faire por simpatizantes dos interesses instalados. Infelizmente, negócios de compadrio estão a lutar para impedir que defensores do mercado livre cheguem ao poder.

Nota Final: tenho criticado os Progressistas mas as instituições de um Estado obeso, que permite às empresas contratarem lobistas para escreverem regulações ou darem subsídios a si mesmas é o principal problema. Quanto maior for o Estado mais poderoso e atraente se torna como ferramenta para que as empresas possam extrair vantagens privadas. Isto não é capitalismo; é o que um economista classificou como “crapitalism”.

 

Julian Adorney

Historiador Economico, Empreendedor, Escritor

 

Texto tirado e traduzido a partir de:

#19 – “Big Government Is a Check on Big Business”

 

About the author

Michael Silva

Licenciado em Gestão e Administração Pública pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas e Pós Graduado em Marketing pelo IPAM. Interesso-me pelos conceitos inerentes ao Liberalismo Clássico: respeito pela liberdade e responsabilidade individual, Estado reduzido, paz e mercados livres. Colaborador do Instituto Ludwig von Mises Portugal, trabalhando essencialmente no Departamento de Traduções.