Socialismo ou Clientelismo?

Ontem (3/Jun/15) foi debatida na AR a aplicação de Taxa Moderadora à Interrupção Voluntária da Gravidez.

Para um liberal, o aborto é uma questão difícil. Se por um lado a mãe é proprietária do seu próprio corpo e tem portanto legitimidade para fazer dele o que lhe apetecer, por outro o feto pode também já ter direitos de propriedade sobre o seu corpo.

No final a questão vai dar à noção muito própria de cada indivíduo sobre quando tem lugar a génese de um novo ser humano:
– no momento da concepção?
– aos X meses de gestação?
– no momento do nascimento?

Não há resposta fácil para isto. Parece ser relativamente consensual que não há problema nenhum em “matar” óvulos e espermatozóides, como também que é muito problemático tirar a vida a um recém-nascido. Mas, e nos entretantos?
Eu próprio não tenho resposta para tal e considero válidos os argumentos de opiniões diferentes nesta questão. Até considero pertinentes as opiniões de quem acha que um ser humano só deve ser considerado como tal algum tempo (geralmente, alguns meses) após o nascimento (embora, regra geral, me perturbe muito a ideia de matar-se um recém-nascido).

O que já não considero válidos, são os argumentos de quem acha que o aborto deve estar isento de Taxa Moderadora.
Então um adulto com posses (mínimas, estabelecidas por lei) que dê entrada numa urgência de um hospital do Estado tem de pagar Taxa, mas para fazer um aborto já não tem?!
Isto não tem qualquer cabimento, quer sejamos liberais ou socialistas!
O Estado já comparticipa largamente a intervenção, sendo os custos reais da mesma muito superiores à Taxa (basta comparar os preços com os de uma clínica privada) e ainda há quem queira isenção total de custos financeiros?! Para quê? Para as “Isabeis Moreiras” pouparem 30 euros para poderem ir a um sítio mais “in” quando vão jantar com as “Raqueis Varelas”?
Que raio de Socialismo é este?!
Não é Socialismo: é Clientelismo.

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Nuno Altavilla Sousa