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A evolução económica da Suécia

Traduzido de: http://minarchiste.wordpress.com/2011/01/20/levolution-economique-de-la-suede/


Autor : Minarchiste
 

20/01/2011

Os esquerdistas do Quebeque e de outros países apontam regularmente a Suécia como o modelo quase ideal. Ao ouvi-los, a Suécia é a prova que é possível estar entre os países mais ricos do mundo, mesmo tendo impostos elevados, uma despesa pública gigantesca e um mercado laboral hiper regulamentado. A Suécia será a prova que o liberalismo não é necessário para potenciar a criação de riqueza?
A Suécia classifica-se no lugar 14 (entre 182 países) para o PIB por habitante segundo o Banco Mundial (2010). Trata-se claramente de um país rico. Mas nem sempre foi assim, no princípio do século XIX a Suécia era pelo contrário um dos países mais pobres.
Entre 1850 e 1970, a Suécia conheceu uma extraordinária recuperação económica. A expansão económica da Suécia culminou em 1970, na altura o país era o quarto país mais rico do mundo. Beneficiava então de uma sólida protecção dos direitos de propriedade, uma regulamentação pouco constragedora e de impostos baixos (similares aos dos EUA).

 

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No princípio dos anos 1950 a despesa pública era muito baixa (cerca de 20% do PIB), inferior por consequente ao nível dos EUA para aquele período.

Nos anos 1970 as coisas começaram a mudar quando o Estado social começou a expandir-se. O Governo atribuiu subsídios a empresas em dificuldade. A regulamentação do trabalho foi aumentada. Os sindicatos reforçados, os despedimentos tornaram-se mais onerosos, alguns desempregados passaram a obter subsídios equivalentes a 80% dos seus salários. A abstenção ao trabalho tornou-se um problema grave na Suécia, devido à regulamentação demasiada permissiva para com os empregados. Os impostos aumentaram significativamente. A competitividade das empesas suecas deteriorou-se consideravelmente, prejudicando as exportações. A moeda sueca foi desvalorizada em diversas ocasiões, com o objectivo de estimular as exportações. A despesa pública atinguiu 60% do PIB.

 

Qual foi o impacto económico deste crescimento do Estado? Em 1990 o PIB por habitante da Suécia era o 9° mais elevado da OCDE, em 1997 era apenas o 15° mais elevado. Em 1993 o défice orçamental era de 13% do PIB e a dívida pública equivalia a 71% do PIB (“The Swedish Model”, Washington Times, 18 Agosto 2009). A taxa de desemprego começou logo a aumentar para atingir níveis perigosamente elevados. As empresas privadas não criaram nenhum emprego entre 1970 e 1990 (ao invés tenderam a perdê-lo), o que significa que a função pública foi a única criadora líquida de emprego.

 

Segundo a The Economist (« The Swedish Model », Admire the best, forget the rest », The Economist, 7 Septembro 2006), apenas uma das 50 maiores empresas suecas foi criada depois de 1970 (as Ericsson, Volvo, Ikea e Electrolux foram todas criadas antes de 1950), o que demonstra a falta de dinamismo da economia sueca.

 

O gráfico seguinte mostra que a despesa pública em percentagem do PIB aumentou sempre acima da dos EUA a partir de 1970.

 

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O gráfico seguinte mostra o PIB por habitante da Suécia em percentagem da média da OCDE. Vê-se claramente que no final da década de 1960 a Suécia começou a perder folgo. Só a partir dos anos 1990, quando as reformas mais liberais foram adoptadas, é que a tendência de decréscimo parou.

 

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O gráfico seguinte mostra o PNB acumulado entre 1975 e 2003 da Suécia em comparação aos EUA e aos outros países europeus. Observa-se a que ponto a Suécia atrasou-se em relação aos outros países industrializados durante esse período.

 

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Em verdade a Suécia conheceu uma importante crise financeira que culminou em 1993. As mudanças regulamentares tomadas a partir de 1985 permitiram aos bancos operarem com rácios de liquidez mais baixos, permitindo-lhes atribuir mais empréstimos e criar mais moeda. Essas mudanças geraram um boom económico acompanhado de um forte endividamento. Na segunda metade da década de 1980, a inflação tournou-se relativamente elevada e os preços dos activos (bolsa e imobiliário) aumentaram em média 125%, em consequência da criação monetária (“The Swedish Banking Crisis : Roots and Consequences”, Peter Englund, Oxford Review of Economic Policy, vol. 15 no 3, 1999). A taxa de poupança começou fortemente a diminuir para se tornar negativa.

 

No princípio dos anos 1990 a bolha começou a desinchar. A inflação tinha diminuido consideravelmente a competitividade das empresas exportadoras, dado que a Suécia operava então segundo um regime de câmbios fixos. A divisa estava então sobrevalorizada, visto que a inflação elevada devia ter baixado o valor da moeda. Esta situação não passou despercebida aos especuladores internacionais que começaram a apostar contra a coroa. Para proteger o valor da sua divisa, o Riksbank decidiu aumentar o seu juro director (até 500%) para incentivar os investidores a comprar títulos suecos e emprestar divisas estrangeiras nos mercados para comprar coroas. As taxas de juro elevadas, a diminuição das exportação e o rebentar da bolha inflacionista mergulharam a economia na recessão. Em Setembro 1992, o Governo montou uma garantia assegurando a solvabilidade do sistema bancário. Em novembro 1992, a Suécia teve de abandonar o seu sistema de câmbios fixos e a coroa desvalorizou-se 20%.

 

Face a esta deterioração do seu desempenho económico, reformas foram tomadas nos anos 1990. O Governo começou a privatizar empresas públicas, a liberalizar os mercados de crédito e de capital e a baixar os impostos. Entre 1990 e 1991, a taxa de imposto das empresas passou de 53 para 30%. A imposição sobre os particulares também baixou.

 

Reformas nos sistemas de ensino e de saúde também foram establecidas, dando mais lugar ao empreendimento privado e à concorrência. A intervenção governamental na economia regrediu. As despesas com serviços sociais também foram reduzidas. O número de funcionários públicos foi reduzido 38%.

 

As empresas públicas de electricidade, telecomunicações, venda de alcóol, transportes públicos e os correios foram confiados ao privado. Além disso, as pessoas têm agora a possibilidade de sairem dos sistemas de pensões e desemprego públicos para os fornecedores privados. Quanto à Função Pública, a remuneração dos trabalhadores passou a ser calculada em função do desempenho e não somente em função da antiguidade. O défice foi eliminado e o rácio dívida/PIB reduzido de metade.

 

Esta reviravolta da tendência permitiu parar o afundamento da Suécia, ao ponto de ser um dos países europeus que obteve o melhor crescimento económico. Aliás, durante a recessão de 2009 o governo reduziu os impostos e recusou salvar o constructor automóvel Saab da falência, demonstrando assim uma nova atitude mais liberal.

 

O gráfico seguinte mostra a taxa do último escalão do imposto sobre o rendimento entre 1970 e 2006.

 

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O gráfico seguinte mostra o nível de taxação das empresas entre 1981 e 2010.

 

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Em Estocolmo, a capital da Suécia, os transportes públicos estão a cargo da Storstockholms Lokaltrafik, um organismo público que depende do conselho da cidade e que não oferece directamente serviços de transporte, que se limita a gerir as subcontratações. O metro de Estocolmo é gerido pela MTR, uma companhia de Hong-Kong inscrita em bolsa que é especializada em gestão de metros. Em 2009, a MTR ganhou um concurso público para gerir o metro de Estocolmo para os oito próximos anos. Parte do serviço de autocarros é fornecido pela firma Arriva, uma companhia britânica que pertence a interesses alemães especializados na administração de transportes públicos. Uma outra parte do serviço de autocarros é fornecido pela Keolis, uma empresa francesa, especializada ela também na gestão dos transportes públicos. Facto interessante, a Caisse de dépôt et placement du Québec é um dos principais accionistas de esta companhia. Finalmente o sector dos autocarros é também gerido pela Nobina Sverige, uma empresa privada suéca e uma das maiores da Europa nesse ramo. Facto interessante, cada companhia de autocarro é livre de utilizar o modelo de veículo da sua escolha em função das necessidades da sua clientela.

 

Quanto ao seguro de desemprego, se querem ter acesso a rendimentos decentes em caso de perda de emprego, os suécos devem afiliar-se a um fundo autónomo de desemprego privado, existem cerca de trinta na Suécia. A adesão a esses fundos privados faz-se de forma voluntária. O prémio pago varia em função do risco que tiver em perder o emprego. Esses seguros de desempregos concorrem entre eles e é possível aumentar a qualidade da sua cobertura.

 

O mercado da electricidade na Suécia não é um monopólio estatal, mas um mercado livre, aberto à competição, inclusive aquela dos países estrangeiros. Um consumidor pode escolher um tarifário aberto, que varia diariamente segundo a oferta e a procura, ou um tarifário fixo. É lhe inclusive oferecida a possibilidade de escolher o modo de produção: eólico, nuclear ou hídrico. Uma família sueca tanto pode assinar um contrato com E.ON, uma empresa alemã que gere centrais hídricas e nucleares, como Kalmar Energi, um empresa norueguesa que só produz energia eólica.


Conclusão :

 

Segundo o Instituto Frazer, em 2008, a Suécia classificou-se no 37° lugar (sobre 141 países)126º lugar no Index of Economic Freedom de 2016 – http://www.heritage.org/index/ranking no índice de liberdade económica. Situa-se assim quase no primeiro quartil; trata-se portanto de um país que beneficia de uma liberdade económica elevada, apesar dos impostos elevados e o mercado do trabalho inflexível. A Suécia possui um bom sistema legal, uma boa protecção dos direitos de propriedade e uma moeda estável (desde 1993). É graças a estes elementos que a Suécia é um país rico, mas também graças à herança liberal do princípio do século XX. Foi durante este período que os empreendedores dinámicos ergueram o capital productivo que permite ainda hoje à economia sueca criar riqueza. É interessante observar que mal começou a dilapidá-lo para o redistribuir, graves problemas económicos surgiram, obrigando-a voltar atrás.

 

Por consequente, a Suécia é a demonstração eloquente que o liberalismo é criador de riqueza. Na verdade, a Suécia mostra a via aos países que estão presentemente em dificuldade : privatizações, redução da burocracia pública, diminuição dos impostos, diminuição do intervencionismo económico inclusive durante as recessões, mais espaço aos fornecedores privados na saúde e educação.

 

Assim, se alguns querem que o Quebeque siga o modelo sueco, eles deveriam perceber que este modelo tende mais para o liberalismo que para o estatismo.

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Referências   [ + ]

1. 26º lugar no Index of Economic Freedom de 2016 – http://www.heritage.org/index/ranking
About the author

André Pereira Gonçalves

Colaborador do Instituto Ludwig von Mises Portugal, estudante em Direito na Universidade de Friburgo (Suíça), anarco-capitalista jusnaturalista.