• Home  / 
  • Politicamente Correcto
  •  /  Cliché #21 – As “Sweatshops” e o Trabalho Infantil, Fruto do Capitalismo, Gritam por Intervenção Governamental

Cliché #21 – As “Sweatshops” e o Trabalho Infantil, Fruto do Capitalismo, Gritam por Intervenção Governamental

workers20bwPrevalece nos Estados Unidos e noutros países industrializados a crença de que sem intervenção governamental, como legislação salarial e
de horário laboral, bem como regras relativas a trabalho infantil e condições de trabalho para mulheres, as longas horas e severas condições de trabalho nas sweatshops generalizar-se-iam desenfreadamente.

A implicação é que legisladores, na altura de Abraham Lincoln, por exemplo, eram cruéis e cegos perante a miséria dos mais pobres – muito semelhante à caricatura do proprietário fabril que empregava homens, mulheres e crianças com salários baixos apesar das longas e péssimas condições de trabalho. Se fossem humanitários, legisladores da altura teriam proibido o trabalho infantil, legislado por um horário de trabalho semanal de 40 horas e aprovado outras leis que melhorassem as condições laborais.

Mas a simples verdade é que gerações anteriores de legisladores nos Estados Unidos foram impotentes como Mao, Nehru, Chavez ou Castro têm sido impotentes mais recentemente, para usarem a varinha mágica da legislação restritiva e assim aumentarem milagrosamente o nível de vida e acabar com a pobreza das populações. Se tal milagre fosse possível, todos os ditadores e todos os legisladores democraticamente eleitos “carregariam no botão” sem hesitação.

A razão que leva mulheres e crianças a não considerarem necessário trabalhar em péssimas condições de “sol a sol” por ordenados baixos é a mesma razão que permite que homens fortes e saudáveis evitem fazê-lo numa sociedade comparativamente livre e industrializada: sobreviver e ganhar a vida através da utilização de ferramentas e acumulação de capital via poupança e investimento.

Num mundo ficcional, as crianças viviam num paraíso natural; mas no mundo real de todas as sociedades primitivas, os homens, mulheres e todas as crianças lutavam constantemente contra a ameaça da fome. Tais economias agrárias suportavam todas as pessoas possíveis mas com elevadas taxas de mortalidade infantil e reduzida esperança média de vida para quem sobrevivesse.

Quando poupanças podem ser acumuladas, então ferramentas poderão ser produzidas e a luta com que o ser humano se depara diariamente aligeirada – a industrialização começa. E com o aumento da poupança, ferramentas, produção e trocas, a população pode aumentar. Assim que os rendimentos aumentam e práticas médicas melhoram, as crianças terão melhores hipóteses de sobreviverem e homens e mulheres poderão também viver mais tempo e com menor esforço. No entanto, nem poupança é acumulada rapidamente nem a industrialização ocorre de um dia para o outro; é um processo longo e lento. Nesta fase inicial as mulheres e crianças sobrevivem e melhoram as suas condições de vida trabalhando em fábricas e nas tais sweatshops. Aprovar uma lei proibindo tal esforço nesta fase de desenvolvimento da sociedade simplesmente condenaria à morte uma parte da população em expansão. Proibir trabalho infantil em países em desenvolvimento hoje seria condenar milhões à fome.

nikeplantAssim que as pessoas desenvolvem o hábito de diligência e poupança e aprendem a respeitar a vida e propriedade, descobrindo como investir as suas poupanças em empreendimentos produtivos e lucrativos, fundam os alicerces do progresso humano – só então, depois da industrialização e uma economia próspera expansiva é possível decretar legislação laboral infantil sem decretar em simultâneo a pena de morte.

Um sábio e honesto humanitário saberá que a pobreza (e pior) espreita por trás de cada lei de ordenado mínimo que estabelece um salário mais elevado do que um individuo é capaz de ganhar; por trás de cada decreto mandatório de 40 horas de trabalho máximo há um homem com uma familia que não pode sustentá-la se não trabalhar mais do que essas 40 horas; por trás de cada condição de emprego legislada há um empresário condenado à falência, assim destruindo oportunidades de emprego que outrora ele criava.

Homens retirarão as suas crianças e mulheres dos sweatshops assim que possível – isto é, assim que melhores oportunidades de emprego surjam – assim que o fornecimento de capital disponível por trabalhador aumentar. As únicas leis necessárias para este fim são as que protegem a vida e propriedade privada e assim encorajam a poupança e investimento.

Acreditar que leis laborais são a causa das melhorias quer na qualidade de vida como de trabalho, em vez de uma consequência, resulta em leis que impedem a criação de riqueza, esgotam o incentivo dos mais energéticos e fecham as portas de oportunidades aos menos capazes. A consequência final não será uma bênção para toda a humanidade mas um retrocesso em direção à barbárie.

Paul L. Poirot

Texto tirado e traduzido a partir de:

#21 – “Capitalism’s Sweatshops and Child Labor Cry Out for Government Intervention”

About the author

Michael Silva

Licenciado em Gestão e Administração Pública pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas e Pós Graduado em Marketing pelo IPAM. Interesso-me pelos conceitos inerentes ao Liberalismo Clássico: respeito pela liberdade e responsabilidade individual, Estado reduzido, paz e mercados livres. Colaborador do Instituto Ludwig von Mises Portugal, trabalhando essencialmente no Departamento de Traduções.