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Marx e Hitler – Separados à Nascença

Vou deixar abaixo duas citações e vou pedir a quem me possa estar a ler que imagine qual delas poderá corresponder a cada um dos autores – Marx e Hitler.
  • Primeira citação [1]:

Nós somos socialistas e inimigos do sistema económico capitalista atual, feito para a exploração dos economicamente frágeis – com seus salários injustos, com a sua indecorosa avaliação do ser humano de acordo com a riqueza e a propriedade, em vez da responsabilidade e desempenho. Estamos determinados a destruir este sistema a todo custo.

  • Segunda citação [2]:

O que, em si, foi a base da religião judaica? A necessidade prática, o egoísmo.

Se imaginou (previsivelmente) que a primeira citação é de Marx e a segunda de Hitler adianto-lhe que se enganou. Pode depois confirmar as fontes, mas a primeira frase – socialista e anti-capitalista – é de Hitler; e a segunda frase – antissemita – é de Marx.

 

A ideia deste artigo, que já venho preparando faz tempo, é demonstrar evidências que: (i) Marx era racista, antissemita, xenófobo e além disso preconizava uma revolução violenta; e que (ii) o nazismo é uma doutrina socialista que combatia o capitalismo e a propriedade privada. O anti-capitalismo de Hitler não aparecerá no ENEM (nazismo no ENEM só pelas palavras de Simone de Beauvoir) e portanto este texto será provocador para muitos. A ideia é mesmo essa. Não vou fazer muitas considerações além de expor o que um e outro escreveram pelo próprio punho. As traduções foram feitas do inglês livremente por mim e todas elas terão fonte no final do texto. Os negritos são também da minha autoria. Sempre que possível as fontes terão link para a respectiva obra completa.

 

É unânime que o nazismo foi um flagelo à humanidade. O que me impressiona é que o marxismo – socialismo/comunismo – não mereça hoje a mesma consideração que o nazismo. Ok, é verdade que o comunismo está proibido em alguns países (que sofreram os flagelos da ideologia) mas pelo mundo ocidental o que não faltam são intelectuais marxistas aos quais o seu pensamento não só é permitido mas também incentivado em nome da pluralidade. Depois dos efeitos práticos de 100 milhões de mortos [4] devido ao socialismo/comunismo, não deveriam ser necessárias mais explicações. Porém, nas redes sociais, o que mais ouvimos é que estas experiências miseráveis e desumanas “deturparam Marx”. Vamos ver, pelo próprio punho de Marx, que não houve qualquer deturpação – o que estava a ser proposto pelo próprio era um holocausto!

 

O resultado eleitoral português é assustador! Devemos entender porque partidos que defendam esta ideologia se apoiam num manifesto de terrorismo urbano e porque é jocoso que os desavisados os considerem no resultado democrático (1).

 

Começando pelo fim, é provável que este texto seja polémico porque socialistas/comunistas jamais admitem que os seus fundamentos base possam ter esta génese sinistra. Além disso, houve uma campanha infundada da esquerda que tentou associar o capitalismo ao flagelo humano do nazismo. A esquerda entende-se a si mesma como monopolizadora da virtude e do humanismo mas nada poderia estar mais longe da verdade. Algumas tentativas de refutação vão ser feitas e irei explicar previamente porque não se aplicam:
  1. “O nazismo é de (extrema) direita!” – Certo! E daí? Quem se interessa por política talvez já terá percebido que o escopo político não tem como ser representado em toda a sua variedade pelo binómio direita-esquerda. Até porque isso consideraria só há um eixo para medir o escopo político, e um eixo mede apenas uma variável. Qual é a variável única que mede todo o escopo político? A esquerda privilegia a “liberdade individual” e a direita a “liberdade económica” (para mim são a mesma)… Então onde ficam os libertários? Eu defendo a despenalização total do comércio (além de consumo, distribuição e produção) de drogas, a eutanásia assistida, e o casamento livre para pessoas do mesmo sexo – geralmente associadas à esquerda; mas também defendo a total liberdade económica – geralmente associado à direita. Um eixo é insuficiente para captar todas as variantes políticas! Pessoalmente, entendo que o Diagrama de Nolan é um modelo mais real do escopo político, onde a distribuição é bidimensional. Assim, na minha opinião, o nazismo, sendo de (extrema) direita, não deixa de ser socialismo. Aqui, sigo também baseado na definição de Hans-Hermann Hoppe, que diz que os sistemas políticos vigentes no Estado são misturas de capitalismo e socialismo independentemente de serem de esquerda ou direita [5].
  2. “Hitler era inimigo do marxismo.” – Também não deixa de ser verdade – Hitler realmente escreveu ser inimigo do marxismo e comunismo – mas isto não invalida que ele fosse socialista. Ele dizia que o verdadeiro socialismo era o “dele”. Se o socialismo marxista era o Estado máximo pela revolução do proletariado e o comunismo marxista era o estágio final já sem a necessidade de Estado, então, comunismo e socialismo são bem diferenciados mesmo dentro do marxismo, apesar de ambos fazerem parte do plano de Marx. E como vamos ver adiante, as ideias do nazismo de Hitler foram baseados nos ideais de Marx que o precederam (pelo menos no que concerne à parte socialista do marxismo). Haverá uma tentativa absurda de alegar que Hitler não era socialista apenas demonstrando que ele não era comunista. São coisas diferentes! Relembro que o nome do partido nazi era: Partido Nacional-Socialista do Trabalhador Alemão.
  3. “Marx era judeu.” – Falso! Marx era neto de judeus e o pai não era religioso, porém converteu-se ao luteranismo por questões práticas. Uma consulta da Wikipedia poderá refutar facilmente esta consideração.
  4. “Hitler protegia a propriedade privada.” – Isto é tão absurdo que nem deveria merecer resposta. A propriedade mais sagrada no direito natural é a auto-propriedade sobre o seu próprio corpo – a sua soberania individual. Esta foi a propriedade que o nazismo negou aos judeus quando os escravizou. Além desta violação máxima da nossa propriedade mais primária, outro exemplo pode ser a proibição do Reich de porte de arma civil que viola o direito da propriedade de armas do indivíduo. E, finalmente, toda a intervenção económica que viola claramente a propriedade privada: o nazismo nacionalizou empresas judaicas; redistribuiu-as pelos corporativistas do partido nazi (semelhante ao sistema de zeladores do socialismo soviético); estabeleceu o que deveria ser produzido nas fábricas (houve fábricas de panelas que foram obrigadas a fabricar cartuchos para munições); fixou cadeias de produção/negócios, quem comprava de quem e o quê; e definiu os preços de bens de produção de ordem superior. Este sistema de zeladores, ao invés de verdadeiros proprietários, obviamente terá beneficiado alguns corporativistas ricos com benefícios fáceis e ilegítimos. O lucro destes parasitas, obtido ilegitimamente, não torna o sistema capitalista – a isto chama-se de corporativismo ou socialismo conservador [5]!

 

Dito isto, vamos lá…

 

O antissemitismo não é exclusivo ao nazismo, a ideologia marxista também era antissemita. Ainda na mesma fonte [2] Marx disse:

Qual é a religião mundana do judeu? Trambicagem exploradora. Qual é o seu Deus terreno? Dinheiro.

Era uma perspectiva partilhada por Hitler, personificando o inimigo – capitalismo – nos judeus. As razões encontradas por Hitler para ter como inimigos os judeus não foram a sua escolha religiosa mas o estereótipo da usura e especulação capitalista, que o seu socialismo considerava infame [3, pp.231]:

Seu único objetivo é quebrar as forças de resistência da nação, preparando-a para a escravidão do capitalismo internacional e dos seus senhores, os judeus.

Parecem até produções do mesmo autor… Continuando com Marx [2]:

O dinheiro é o deus ciumento de Israel, em face do qual nenhum outro deus pode existir. […] O deus dos judeus tornou-se secularizado e se tornou o deus do mundo. A letra de câmbio é o deus verdadeiro do judeu. Seu deus é apenas uma letra de câmbio ilusória.

Só então poderia o judaísmo alcançar o domínio universal e fazer do homem alienado e da natureza alienada alienáveis, objetos vendáveis submetidos à escravidão da necessidade egoísta e à negociação.

Em tudo semelhante às palavras de Hitler [3, pp.580]:

Só na França existe, hoje mais do que nunca, uma íntima harmonia entre as intenções do capitalismo judaico e os desejos de uma política nacional chauvinista.

Não terá nem faltado uma “solução final” proposta por Marx [2]:

Uma vez que a sociedade consiga acabar com a essência empírica do judaísmo – usura e suas pré-condições – o judeu se tornará impossível, porque sua consciência não terá mais um objeto, porque a base subjetiva do judaísmo, a necessidade prática, foi humanizada, e porque o conflito entre a existência individual do homem e sua existência como espécie foi abolida.

Recomendo a leitura completa da fonte supracitada, pelo punho de Marx, que é toda dedicada ao antissemitismo assumido. Todavia, não foi algo exclusivo a este documento. O antissemitismo está presente em vários documentos de Marx, e novamente é feita uma insinuação à “solução final” [6]:

E aos judeus, que desde a emancipação da sua seita têm em todos os lugares nos quais se colocam, pelo menos na pessoa de seus representantes eminentes, à cabeça da oposição à revolução – o que os lhes está destinado? Que não se espere pela vitória de os atirar de volta para o gueto.

A sugestão da “solução final” era estendida a todas as classes anti-revolucionárias [7]:

Todas os outros povos, grandes e pequenos, estão destinados a ser rapidamente suprimidos na tempestade revolucionária.

Marx em um artigo – The Russian Loan (que é bastante difícil encontrar tal a exacerbação para os marxistas o esconderem) [8]:

Assim, encontramos todos os tiranos apoiados por um judeu, como todos os papas são apoiados por um jesuíta. Na verdade, as ânsias dos opressores seria impossível, bem como a viabilidade de guerra fora de questão, se não houvesse um exército de jesuítas para abafar o pensamento e um punhado de judeus para saquear os bolsos.

Aqui e ali e em todos os lugares que um pouco de capital corteja investimento, há sempre um destes pequeninos judeus pronto para fazer uma pequena sugestão ou ser credor de um pequeno empréstimo. […] Assim, estes empréstimos, que são uma maldição para o povo, uma ruína para os titulares, e um perigo para os governos, tornam-se uma bênção para as casas dos filhos de Judá. Esta organização judaica de traficantes de empréstimos é tão perigoso para as pessoas como a organização aristocrática dos proprietários […] As fortunas acumuladas por estes traficantes de empréstimos são imensas, mas os erros e sofrimentos impostos sobre as pessoas ainda carece de ser contado. […] Mas é só porque os judeus são tão fortes que é oportuno e conveniente expor e estigmatizar a sua organização.

A opinião de Marx sobre os judeus não se ficou apenas pelos artigos. No seu mais famoso livro, aclamada obra prima da crítica ao capitalismo pelos marxistas – Das Kapital – aborda novamente a religião judaica de forma depreciativa e associando-a ao capitalismo, que ele tanto criticava. Mais, chega a fazer uma metáfora entre “judeus circuncidados” e mercadoria – cujo único objectivo é gerar riqueza [9, pp.107]:

O capitalista sabe que todas as mercadorias, por muito desprezíveis que possam parecer, ou por muito mal que possam cheirar, são na fé sua fé e na sua verdade dinheiro, no seu âmago como judeus circuncidados, e acima de tudo, um meio maravilhoso em que dinheiro faz mais mais dinheiro.

Os seus sentimentos em relação aos judeus não eram apenas integrados na sua filosofia como também nas suas cartas privadas. Num primeiro momento [10]:

Esta jovem senhora, que imediatamente tomou conta de mim com a sua bondade, é a criatura mais feia que já vi em toda a minha vida, com as características faciais repulsivas dos judeus.

E em um segundo momento – uma carta ao seu amigo Friedrich Engels – em que ao seu antissemitismo, Marx aliava também racismo [11]:
[…] o judeu negro, Lassalle […] ele, como é provado por sua formação craniana e seu cabelo, descende de negros do Egito, assumindo que sua mãe ou avó não se tenham cruzado com um negro. Esta união do judaísmo e germanismo com uma substância básica de negro deve produzir um produto peculiar. A impertinência desse fulano também é própria de um negro.

Aproveitando a introdução a Engels, também ele se assumia racista, antissemita e xenófobo [12]:
[…] os simplórios nacionais alemães e acumuladores de dinheiro do pântano parlamentar de Frankfurt sempre contaram como alemães os judeus polacos, embora esta seja a mais suja de todas as raças, não pelo seu jargão ou pela sua categoria inferior, mas pela sua ânsia de lucro […]
O racismo era assumido até nas conversas entre Engels e Laura, filha de Marx, sobre o seu próprio marido Paul Lafargue [13]:

Na sua qualidade de negro, está um grau mais próximo ao resto do reino animal do que o resto de nós […]

Engels nunca escondeu que achava pessoas com outros tons de pele seus inferiores intelectuais por via da herança genética [14]:

Se, por exemplo, entre nós os axiomas matemáticos que parecem evidentes até para uma criança de oito anos de idade, e sem necessidade de prova da experiência, este é apenas o resultado da “herança acumulada.” Seria difícil ensiná-los a um bosquímano ou a um negro australiano.

Continuando com Engels, temos a referência à luta de classes entre “estúpidos e burgueses”. Salta à percepção de uma leitura superficial o mais absoluto desprezo que estes dois burgueses (2) – Marx e Engels – sentiam pelas pessoas que consideravam inferiores:
  • Primeiro aqui [15]:

Em primeiro lugar, os agricultores, o conjunto mais estúpido de pessoas na existência, que, agarrados aos preconceitos feudais, irromperam em massas, pronto para morrer em vez de deixar de obedecer aqueles a quem eles, seus pais e avós, tinha chamado seus mestres; e quem se tinham submetido a ser pisados e chicoteados.

  • E depois Marx aqui [16]:

Não há burros maiores do que esses trabalhadores. […] Olhe para os nossos artesãos; Triste que a história do mundo deva ser feita por tais pessoas.

Engels não só considerava algumas etnias inferiores como desejava abertamente que elas fossem extintas pela violência [12]:

Alemães e magiares [do Império Austro-húngaro] desataram essas pequenas, atrofiadas e impotentes nações em único estado grande e, assim, permitiram-lhes participar do desenvolvimento histórico, do qual teriam permanecido à margem se deixados a si mesmos. […] Na história, nada é conseguido sem violência e crueldade implacáveis. […] Em suma, verifica-se que estes “crimes” dos alemães e magiares contra os ditos eslavos estão entre as melhores e mais louváveis ações de os magiares e o nosso povo se podem gabar na sua história.

Continuando com Engels e a violência [17]:
[…] somente com o uso mais determinado de terror contra esses povos eslavos podemos, em conjunto com os polacos e húngaros, salvaguardar a revolução.

Vai ser uma luta, uma “luta de vida e morte inexorável”, contra os eslavos que traem a revolução; uma luta aniquiladora de terror implacável – não no interesse da Alemanha, mas no interesse da revolução!

As referências de Engels à violência são múltiplas [18]:

Todos sabemos que no fim, nada pode ser atingido sem violência!

E nunca o marxismo teve a liberdade como objetivo. Como se pode verificar em outra carta de Engels [19]:

É loucura absoluta falar de um Estado popular livre; desde que o proletariado ainda faça uso do estado, fará uso do mesmo, não com a finalidade de liberdade, mas com a de suprimir os seus inimigos.

Em obras conjuntas – Marx e Engels – assumiam a necessidade de implementar o terror para a revolução marxista ocorrer [20]:

Não temos compaixão e não pedimos compaixão de si. Quando a nossa vez chegar, não pediremos desculpa pelo terror.

E, finalmente, encerrando as citações de Engels [21]:

A guerra dos pobres contra os ricos será a mais sangrenta alguma vez travada.

Voltando a Marx, e a uma carta para o próprio Engels [22]:

Que o diabo leve os movimentos populares, especialmente quando são pacíficos.

Continuando com as suas propostas violentas [23]:

O próprio canibalismo da contra-revolução vai convencer as nações que há apenas uma maneira em que as agonias de morte da velha sociedade e os espasmos de nascimento sangrentos da nova sociedade podem ser encurtados, simplificados e concentrados, e essa maneira é o terrorismo revolucionário.

Ideais como “justiça, liberdade, igualdade e fraternidade” não eram o objectivo do marxismo, algo que Marx não tinha problemas em reconhecer pelo próprio punho [24]:
[…] toda uma turma de estudantes imaturos e doutores excessivamente sábios que querem dar um toque “superior, ideal ‘para o socialismo, ou seja, para substituir a sua fundação materialista através da mitologia moderna, com as suas deusas da Justiça, Liberdade, Igualdade e Fraternidade […]
A última citação de Marx que iremos apresentar pelo seu próprio punho [25], personifica as ditaduras socialistas que existiram e ainda existem pelo mundo. Aqueles que costumam alegar que “deturparam Marx” não conhecem as suas verdadeiras propostas:

Após uma revolução, o set-up político provisório exige uma ditadura, e uma ditadura enérgica para isso.

Em um dado momento Marx fora entrevistado [26] e foi feita a seguinte pergunta: Bem, então, para realizar os princípios do socialismo que seus crentes defendem assassinato e derramamento de sangue? Ao que Marx respondeu:

Nenhum grande movimento foi alguma vez inaugurado sem derramar sangue.

Depois de tudo isto, imagine aqueles comunistas/socialistas que dizem que “socialismo é amor”… A proposta marxista é realmente uma fofura. Nesta forma de amor muitas pessoas acabaram em campos de concentração e foram mortos milhões – tudo em nome da revolução. Que as citações supracitadas sirvam para colocar em perspectiva o monopólios das virtudes que os socialistas/comunistas dizem ter.

 

Na obra de George Watson [27], é referida a inspiração de Hitler em Marx: o primeiro criticava o marxismo em público mas teria-o elogiado, diversas vezes, em privado. O autor refere que Hitler era um orgulhoso proprietário de algumas das publicações revolucionárias originais de Marx e Engels. Estes indícios são circunstanciais mas pelas palavras do próprio (Hitler) podemos encontrar uma enorme aderência ao marxismo (ódio ao capitalismo e sua associação aos judeus) [3, pp.579], [3, pp.418] e [3, pp.302]:
[…] capitalismo internacional judaico só poderá quebrar definitivamente a espinha dorsal do Estado alemão mediante a assistência amigável de fora. Por isso, os exércitos da França devem ocupar a Alemanha, até que o Reich, corroído no interior, seja dominado pelas forças bolchevistas a serviço do capitalismo judaico internacional.

[…] um objetivo e também conhece a atuação construtora (somente, porém, quando se trata de estabelecer o despotismo do capitalismo internacional judeu).

[…] o judeu se prevalece das incomensuráveis possibilidades futuras, organizando, de um lado, os métodos capitalistas de exploração humana até os últimos extremos.

O ódio de Hitler ao capitalismo transcendia a questão judaica. Em diversos momentos de Mein Kampf isso fica explícito pelo próprio punho [3, pp.264] e [3, pp.223]:

Se a fúria dos aproveitadores internacionais em Versalhes se dirigia contra o antigo exército alemão é que este era o último reduto das nossas liberdades na luta contra o capitalismo internacional. Não fosse essa força ameaçadora, a Intenção de Versalhes se teria realizado muito antes. O que o povo alemão deve ao exército pode-se resumir nesta palavra: tudo.

Antes da guerra, a internacionalização dos negócios alemães já estava em andamento, sob o disfarce das sociedades por ações. É verdade que uma parte da indústria alemã fez uma decidida tentativa para evitar o perigo, mas, por fim, foi vencida por- uma investida combinada do capitalismo ambicioso […] No momento em que escrevo estas linhas, espera-se o êxito da tentativa de passar as mãos do capitalismo internacional os caminhos-de-ferro da Alemanha.

A crítica de Hitler não perdoava no que concerne à propriedade privado do capital e às normais atividades do capitalismo como a especulação [3, pp.198] e [3, pp.185]:

Anteriormente eu não tinha conseguido ainda distinguir, com a clareza que seria de desejar, a diferença entre o capital considerado como resultado final do trabalho produtivo, e o capital cuja existência repousa exclusivamente na especulação.

A destruição da economia nacional, em beneficio do capital internacional, é um fim que foi atingido graças à tolice e à boa fé de um lado e a uma covardia inominável do outro.

Tal como Marx, Hitler também criminalizou a burguesia [3, pp. 39]:
[…] era um instrumento da burguesia para exploração das massas trabalhadoras; a autoridade da lei era simples meio de opressão do proletariado; a escola era instituto de cultura do material escravo e mantenedor da escravidão.

Hitler abominava a “alta finança”, a usura e até os juros (muito semelhante a uma esquerda actual). Em um primeiro momento [3, pp.201] dá-nos conta de quando entendeu que a usura do juro era abominável:

Quando assisti a primeira conferência de Gottfried Feder sobre a “abolição da escravidão do juro”, percebi imediatamente que se tratava aqui de uma verdadeira teoria destinada a imensa repercussão no futuro do povo alemão. A separação acentuada entre o capital das bolsas e a economia nacional, oferecia a possibilidade de se enfrentar a internacionalização da economia alemã, sem ameaçar o princípio da conservação da existência nacional independente, na luta contra o capital. Eu via com- bastante clareza o desenvolvimento da Alemanha, para não perceber que a maior luta não seria contra os povos inimigos e sim contra o capital internacional. Senti na conferência de Feder o formidável grito de guerra para a próxima luta.

E em outros dois momentos concretizou, em ambos referindo-se ao trabalho de especulação dos judeus [3, pp.293] e [3, pp.294]:

Aos poucos, começa ele a trabalhar no terreno económico, não como produtor mas exclusivamente como intermediário. Na sua habilidade milenar de negociante, supera de muito os arianos, os quais ainda se mostram sem jeito e, sobretudo, de uma probidade sem limites. Assim, em pouco tempo, o judeu ameaça adquirir o monopólio do comércio. Começa com empréstimos de dinheiro, e, como sempre, com juros de usurários. Na verdade, foi ele quem, por este meio, introduziu o juro.

Custe o que custar, em poucos anos ele recobra novamente, com juros sobre juros, o dinheiro empregado. Uma verdadeira sanguessuga que se agarra ao corpo do infeliz povo e daí não se mexe até que os príncipes precisem novamente de dinheiro e se encarreguem de lhes extorquir pessoalmente o sangue sugado.

Encerrando as citações, temos um discurso de Hitler que é todo dedicado a explicar o porquê de um socialista ter de ser antissemita [28]:

Como alguém, sendo socialista, poderá não ser antissemita?

As citações falam por si! Concluindo: nazismo e o comunismo são ideologias muito aderentes; Hitler teve influências marxistas; Marx era racista, antissemita e xenófobo (facto); Hitler era inimigo do capitalismo (facto). Em todos os momentos da história que se o capitalismo foi transformado em inimigo, foram cometidos os maiores crimes contra a humanidade. Deixo, aos que conseguiram ler a nota até ao final, que tirem as suas próprias ilações sobre o exposto. Eu defendo o capitalismo, e o leitor?

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Cartaz de propaganda nazista que diz: “Alemanha Contra o Capitalismo”.

 

(1) Sobre a democracia ela é um problema em si mas a ideia do texto não é abordar essa questão.
(2) A maioria das pessoas esquece que Marx e Engels eram também eles “burgueses”. Marx era filho de um advogado rico. Marx foi sustentado pelo pai, depois pela esposa (filha de burgueses industriais), e finalmente por Engels – também ele filho de burgueses capitalistas.

 

[1] Hitler, Adolf (1 de Maio de 1927). Discurso do Dia do Trabalhador.
[2] Marx, Karl (1844). On The Jewish Question. Deutsch-Französische Jahrbücher.
[3] Hitler, Adolf (1925). Mein Kampf. Eher Verlag.
[4] Werth, Nicolas; Panné, Jean-Louis; Paczkowski, Andrzej; Bartosek, Karel; Margolin, Jean-Louis (1999). The Black Book of Communism: Crimes, Terror, Repression. Harvard University Press.
[6] Marx, Karl (17 de Novembro de 1848). Confessions of a Noble Soul. Neue Rheinische Zeitung No. 145.
[7] Engels, Friedrich (8 de Janeiro de 1849). The Magyar Struggle. Neue Rheinische Zeitung No. 194.
[8] Marx, Karl (4 de Janeiro de 1856). The Russian Loan. New York Daily Tribune.
[9] Marx, Karl (1867). Capital: A Critique of Political Economy – Volume I. Progress Publishers, Moscow, USSR.
[10] Marx, Karl (24 de Março de 1861). Letter to Antoinette Philips.
[11] Marx, Karl (Julho de 1862). Letter to Friedrich Engels.
[12] Engels, Friedrich (29 de Abril de 1849). Posen. Neue Rheinische Zeitung No. 285 (second edition).
[13] Engels, Friedrich (Abril de 1887). Letter to Laura Marx.
[14] Engels, Friedrich (1883). Notes to Anti-Duehring (Dialectics of Nature).
[15] Engels, Friedrich (1845). Deutsche Zustände.
[16] Marx, Karl (20 de Julho de 1852). Letter to Adolf Cluss.
[17] Engels, Friedrich (16 de Fevereiro de 1849). Democratic Pan-Slavism, Continued. Neue Rheinische Zeitung.
[18] Engels, Friedrich (21 de Fevereiro de 1874). Letter to Wilhelm Blos.
[19] Engels, Friedrich (18-28 de Março de 1975). Letter to August Bebel.
[20] Marx, Karl; Engels, Friedrich (19 de Maio de 1849). Suppression of the Neue Rheinische Zeitung. Neue Rheinische Zeitung.
[21] Engels, Friedrich Engels (1845). Condition of the Working Class in England.
[22] Marx, Karl (4 de Fevereiro de 1852). Letter to Friedrich Engels.
[23] Marx, Karl (7 de Novembro de 1848). The Victory of the Counter-Revolution in Vienna. Neue Rheinische Zeitung.
[24] Marx, Karl (19 de Outubro de 1877). Letter to Friedrich Adolph Sorge.
[25] Marx, Karl (Setembro de 1848). The Crisis and the Counter-Revolution. Neue Rheinische Zeitung.
[26] Marx, Karl (5 de Janeiro de 1879). Interview with Karl Marx. Chicago Tribune.
[27] Watson, George (2010). The Lost Literature of Socialism. Lutterworth Press.
About the author

César Serradas

Português a viver no Brasil. Mestrado em Engenharia Mecânica especializado em produção e manutenção de equipamento industrial. Produção académica com publicações internacionais na área de Finanças/Valuation. Libertário anarcocapitalista.