Ron Paul estava certo

No discurso à nação de ontem (07/12/2015), Obama reconheceu o problema da estratégia militar clássica numa guerra contra forças descentralizadas (elas próprias, de natureza e motivação diversa):

“Não devemos entrar uma vez mais numa guerra longa e custosa no Iraque ou Síria. Isso é o que querem grupos como o ISIL [outra sigla para Estado Islâmico].” Segundo Obama, os jihadistas sabem que uma intervenção em força de forças estrangeiras conseguiria derrotá-los facilmente no terreno. “Mas sabem também que se ocuparmos territórios estrangeiros, podem sustentar insurgências durante anos, matando milhares das nossas tropas, retirando-nos recursos e aproveitando a nossa presença para conseguirem novos recrutas.” (via Público)

Faltou ainda: a destruição da estrutura social e administrativa que sustenta um estado, a criação de estruturas artificiais que não se sustentam sem o financiamento e apoio constante, ainda por cima, conectadas com o “estrangeiro”; o incentivo à disseminação dos actores-não-estados, e a exportação da motivação para a geração espontânea de células e recrutamento, em especial em comunidades de imigrantes ou similares.

Ron Paul, um mês depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001 propôs a figura constitucional do  “letters of marque and reprisal” que permite que o Congresso autorize o poder executivo a delegar a agências não militares [uma longa tradição herdada do recurso a piratas pelo Império Britânico] a perseguição de objectivos bem definidos, no caso, os responsáveis prováveis pelos atentados: Bin Laden e os Sauditas que o executaram, poupando a invasão e ocupação do Afeganistão que criou o ambiente e o precedente para a invasão e ocupação do Iraque (e o resto). Com isto, a clareza moral mantinha-se e o ciclo iniciado de que se alimenta o terrorismo exportado de forma espontânea para as nossas fronteiras, contido.

Ron Paul, era, claro, o único lúcido.

Referência: “H.R.3076 — September 11 Marque and Reprisal Act of 2001 (Introduced in House – IH)

(…) SEC. 3. AUTHORITY OF PRESIDENT.

(a) The President of the United States is authorized and requested to commission, under officially issued letters of marque and reprisal, so many of privately armed and equipped persons and entities as, in his judgment, the service may require, with suitable instructions to the leaders thereof, to employ all means reasonably necessary to seize outside the geographic boundaries of the United States and its territories the person and property of Osama bin Laden, of any al Qaeda co-conspirator, and of any conspirator with Osama bin Laden and al Qaeda who are responsible for the air piratical aggressions and depredations perpetrated upon the United States of America on September 11, 2001, and for any planned future air piratical aggressions and depredations or other acts of war upon the United States of America and her people.

(b) The President of the United States is authorized to place a money bounty, drawn in his discretion from the $40,000,000,000 appropriated on September 14, 2001, in the Emergency Supplemental Appropriations Act for Recovery from and Response to Terrorists Attacks on the United States or from private sources, for the capture, alive or dead, of Osama bin Laden or any other al Qaeda conspirator responsible for the act of air piracy upon the United States on September 11, 2001, under the authority of any letter of marque or reprisal issued under this Act.

(c) No letter of marque and reprisal shall be issued by the President without requiring the posting of a security bond in such amount as the President shall determine is sufficient to ensure that the letter be executed according to the terms and conditions thereof.”

 

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Carlos Novais

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