Um Outono maduro

Mário Soares, numa fase de notória demência aguda e de dispensável de aparição pública, emitia vénias e agradecimentos a Hugo Chávez pelas maravilhosas conquistas bolivarianas, banhadas a sangue e opressão. Em suma, enchia-me de vergonha. Mas foi perdoado, porque já não sabia o que fazia.

José Sócrates, o vendedor de banha da cobra de serviço, viajou por todas essas ditaduras de ”rosto humano” vendendo maquinaria juvenil (vulgo Magalhães) em troca de financiamento para as suas alucinações. Em suma, encheu-me de nojo. E foi esquecido, porque o destino encarregou-se de o julgar.

O Partido Comunista Português associou-se à campanha “Os Povos com a Venezuela” e ao “Dia de Acção Mundial de Solidariedade com a República Bolivariana da Venezuela”, sublinhando a ”importância do processo emancipador venezuelano e do património de conquistas populares da Revolução Bolivariana que representam um muito significativo contributo para a alteração da correlação de forças, favorável aos interesses dos povos e à causa do progresso social, que se verifica na América Latina e Caraíbas”. Fiquei-me pela indiferença que merecem os maluquinhos. E foram desprezados, porque eu sou uma de dez criaturas a ler o site do PCP.

Demagogia, nacionalização da economia, filas de espera para um naco de carne, fome, bodes expiatórios, a culpa é do imperialismo, depois dos traidores, depois do povo, mortes, perseguição aos atrevidos. O resto já sabem. É o costume. Há duzentos anos a mesma merda e ainda levam a sério os imbecis que ousam falar em liberdade, em direitos, em pobres e ricos. Hoje há eleições legislativas na Venezuela. Que acabe lá o que aqui está a começar. Pelo menos isso.

About the author

João Tavares

Conservador do tipo inglês, liberal do tipo universal, bom garfo ao estilo português. Aspirante a jurista e a outras investigações caninas, sou vítima de instrução para o obscuro mundo das leis. Entretanto, vou divagando enraivecido sobre essa bomba aspirante da substância pecuniária do contribuinte.