Voluntarismo versus Coerção

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Poderá parecer uma distinção trivial, no entanto é a distinção mais importante a ter em conta, sendo que esta determinará a longo prazo o destino de qualquer civilização/sociedade.

 

Uma transação voluntária implica obrigatoriamente que certos conceitos estão a ser aplicados na prática. O mais importante destes conceitos seria o de todos os termos definidos no acordo voluntário entre as duas entidades terem sido o resultado de negociação. Não existe qualquer terceira instituição a impor termos pré-definidos ou, pior ainda, a favorecer uma entidade com termos específicos.

Adicionalmente, a liberdade para discriminar permite que um dos lados possa por vontade própria afastar-se/dissociar-se do outro, ou seja, é um mecanismo já naturalmente estabelecido de modo a impedir casos de abuso destinados a privilegiar um lado.

É exatamente por causa destes mecanismos já estabelecidos que se torna essencial para o estado desrespeitá-los assim como excluí-los. É necessário ter em mente que se uma alternativa com origem em acordos voluntários existe, a esmagadora maioria, se não a totalidade dos programas impostos (ênfase na palavra “impostos”) pelo estado revelar-se-ão demasiado dispendiosos, assim como desfavoráveis para muitas pessoas.

Os termos de muitos destes programas impostos pelo estado, ou de certas entidades privadas que possuem canais de comunicação exclusivos com o estado e pedem emprestada a força deste, simplesmente não serão aceites voluntariamente por parte de outros num mercado livre. E devido a esta realidade torna-se absolutamente essencial para o estado tornar o mais obscura possível a sua natureza.

A crescente dependência de uma sociedade no estado inevitavelmente resultará na sua destruição. A intrínseca natureza deste significa que investimentos que sob outras circunstâncias nunca seriam aceites podem não só ser forçados como também os inevitáveis prejuízos resultantes são suportados e partilhados por todos as entidades no sector privado. A sociedade passa a ser regida por um sistema baseado na externalização de riscos e prejuízos.

Uma sociedade é resistente à destruição de capital apenas até um determinado ponto. Se a destruição das poupanças atingir uma escala de tal maneira insuportável, o cidadão comum deparar-se-á com uma realidade na qual usufruir das necessidades mais básicas se torna um desafio herculano.

Infelizmente, quando as coisas chegam a este ponto normalmente a frustração por parte da população é tal que a invenção de inimigos imaginários internos e externos é necessária, direcionando deste modo a frustração para algo que não seja o estado.

O sector privado consegue de um modo inerente lidar com a geração de prejuízos, algo que se encontra na sua natureza. Quaisquer prejuízos resultantes de maus investimentos são sempre limitados à entidade que tomou a decisão. O raio de destruição torna-se assim relativamente limitado. Outras entidades privadas tomarão diferentes decisões face aos sistemas de preços e possivelmente deparar-se-ão com diferentes resultados.

Todo o sistema de preços, assim como a liberdade de acção de cada pessoa num mercado livre, liberdade para escolher e discriminar (é difícil, se não impossível distinguir os dois, pois são duas faces da mesma moeda), oferecem à sociedade um muito necessário grau de flexibilidade, que lhe permite sobreviver durante períodos de maior pressão, como por exemplo escassez de certos recursos.

Infelizmente o estado esforça-se para destruir os mecanismos naturais já existentes na sociedade, prejudicando esta em vários níveis. Sob esta avaliação poder-se-ia classificar o estado como uma entidade ignóbil, não demonstrando qualquer utilidade construtiva.

Tal como foi exposto no início deste artigo, graças a uma simples distinção conceptual torna-se possível determinar a longo prazo o destino de qualquer sociedade.

 

 

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João Silva