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Não há maneira alguma que o salário mínimo ajude a economia

No debate atual sobre o salário mínimo, alguns argumentam que um salário mínimo mais alto melhora a economia em geral. Se trabalhadores recebem salários maiores, segue a lógica, então irão ter mais dinheiro para gastar, e o aumento do gasto irá retornar e melhorar o negócio.

Neste vídeo de notícias, por exemplo, um ativista no comité de um movimento de cidadãos, o #FightFor15, diz (aos 1:44) que “É um facto simples económico: Quando há mais dinheiro nas mãos do povo, isso ajuda a economia em todas as suas áreas.”

No mesmo tom, um amigo meu comentou num artigo recente que “Pode-se supor que o benefício para aqueles que receberam o aumento salarial e o benefício para a economia que vem do aumento no consumo pesa mais do que perdas marginais de empregos.”

Mas, um salário mínimo maior não ajuda a economia.

 

Deixemos de lado se a perda de empregos é marginal, quer no todo ou para as pessoas que sofreram a perda. Deixemos de lado que um aumento no consumo por aqueles que mantêm os seus empregos e recebem mais que o salário mínimo é, pelo menos parcialmente, afetado pela diminuição de consumo daquelas que perderam os seus empregos (ou que nunca foram contratados) e que recebem nada com um salário mínimo maior.

Concentremo-nos então no aumento do consumo por aqueles que agora recebem mais. Será que isso significa que o aumento do consumo deles equivale a maior consumo no geral?

Não, não equivale.

Esse dinheiro extra tem de vir de algum lado.

 

Os salários mais altos que agora os empregadores têm de pagar é dinheiro que podiam ter gasto de outra maneira, talvez em manutenção, melhor equipamento, expansão do negócio ou salário para um trabalhador adicional.

Mesmo que o empregador apenas mantivesse o dinheiro como lucro, ele não iria colocá-lo debaixo de um colchão; ele iria investir, de alguma forma, ou numa conta bancária, por exemplo, ou em ações de uma empresa. Nesse caso, o banco normalmente iria emprestar o dinheiro a alguém que iria gastá-lo, ou o vendedor de ações iria gastá-lo de alguma outra forma. Independentemente disso, o dinheiro ia ser gasto. Leis de salário mínimo maior não aumentam o consumo no geral: apenas mudam quem o gasta e no que é gasto.

 

A crença que um aumento do salário mínimo aumenta o consumo no total é uma instância do erro que Frédéric Bastiat aponta em O que se vê e o que não se vê. O erro aqui é apenas ver o aumento no consumo pelos assalariados que recebem um salário maior mas não ver a diminuição do consumo dos empregadores que têm de pagar salários maiores. O último eclipsa completamente o primeiro.

De qualquer forma, aumentar artificialmente os salários causa uma perda no total para a economia — mesmo que nenhum trabalhador seja despedido — ao aumentar os custos reduz-se a produção. Suponha-se, por exemplo, que quando o salário mínimo é subido um empregador em particular não despede ninguém e paga aos seus empregados mal formados salários maiores com o dinheiro que teria sido gasto em trocar o equipamento antigo do negócio.

Embora o gasto total na economia tenha-se mantido igual, a produção total teria diminuído, pois os seus empregados teriam de trabalhar com equipamento antigo ao invés de novo, e portanto incapazes de produzir tanto como seria possível. O aumento de salário mínimo teria resultado em menos bens e serviços para as pessoas aproveitarem.
Salários mínimos maiores não melhoram a economia.

 

(Uma tradução de um artigo original escrito por Howard Baetjer, Jr.)

 

Artigo relacionado: Porque o salário mínimo não é um máximo!

About the author

Hugo Fragata

Estudante de Engenharia de Computadores e Telemática na Universidade de Aveiro.