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A (R)evolução que Matará os Cartéis

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Uma das acusações mais recorrentes contra as empresas em geral, é a de que estas se unem pela concertação de preços. Ainda recentemente, 15 bancos portugueses foram acusados pela Autoridade da Concorrência de concertarem preços nos serviços de crédito à habitação e consumo, comissões e spreads. Contudo, o regulador parece estar sempre um passo atrás e só age quando um dos membros do dito cartel rói a corda.

Economicamente, sabemos que os cartéis são instáveis. O “acordo” entre os diferentes membros de um cartel pode ser rompido a qualquer momento. Porquê? Porque mais do que orquestrar preços, interessa a cada empresa ganhar quota de mercado (conseguindo assim maiores lucros). Assim sendo, as empresas individualmente consideradas têm todos os incentivos para abandonar o cartel, baixar preços e roubar clientes à concorrência.

Além disso, os membros instalados dos cartéis enfrentam outro desafio: se não possuírem poder legislativo para o fazer (e, infelizmente, várias vezes possuem-no) não conseguem controlar a entrada de novos agentes no mercado. Como tal, enquanto adormecem à sombra dos preços combinados, podem perfeitamente ver-se ultrapassados por uma nova empresa que oferece melhores serviços e/ou preços mais competitivos. E assim acaba o cartel.

Mas perguntar-se-ão: afinal, o que tem isto que ver com a revolução (tecnológica) que se aproxima e que vai pôr os carteis na linha? Mais: que revolução é esta? Falo-vos do fenómeno crescente das plataformas de comparação. Melhor que qualquer agência regulatória e melhor que qualquer associação de proteção ao consumidor, este fenómeno utiliza mecanismos de mercado (sim, são empresas e, sim, lucram com o negócio) para defender os consumidores das tentativas de cartelização. Como? Atacando diretamente um dos pilares dos interesses cartelizados: a assimetria informativa. Por assimetria informativa, entende-se o facto de os consumidores não terem a seu dispor toda a informação necessária sobre os preços e serviços disponíveis no mercado e, como tal, estarem sujeitos a serem enganados e subjugados. Não sabendo que preços são praticados, podem mais facilmente cair no esquema dos preços combinados.

A forma como funcionam é intuitiva: as plataformas digitais colocam o preço e os serviços online numa espécie de diretório com todas as empresas que aderem ao serviço. Desta forma, quem quiser comprar um novo par de calças ou um telemóvel pode ir ao KuantoKusta e comparar as ofertas em várias lojas, quem desejar pedir um crédito pessoal pode ir ao ComparaJá.pt ou quem estiver à procura de uma simples máquina fotográfica pode comparar o seu preço no Kelkoo.

E isto não acontece só “lá fora”. Todos os sites referidos já estão aí para ajudar o consumidor português. Os clientes ficam com toda a informação na mão e as empresas competem por novos clientes online. E os cartéis? Esses remetem-se para o caixote de lixo da História.

Nota: este artigo configura a opinião do autor, não vinculando, necessariamente, a posição do IMP sobre o tema.

About the author

Guilherme Marques da Fonseca

Vice-presidente fundador do IMP. Economista, empreendedor e financeiro. Contacto: guilherme.fonseca@mises.org.pt