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Academismo e anti-liberalismo

Frequento um doutoramento numa escola pública na qual fundamento filosoficamente o anarco-capitalismo de Murray Rothbard, em especial os direitos naturais/teoria da propriedade, a praxeologia/mercado e os serviços de defesa e segurança privados. No meu mestrado abordei uma crítica ao conceito de estado em Rothbard, na qual falava do seu pensamento político e económico. A grande maioria dos académicos são marxistas ou social-democratas, mas na minha opinião considero isso um cancro, na qual a única quimioterapia é a leitura de autores da Escola Austríaca. Cada professor, e autor, apenas conhece quem é anti-liberal. Trata-se de quem apenas segue uma tradição da filosofia francesa pós-moderna, algo que filosoficamente é muito escasso e por regra geral desconhecem a tradição austríaca. Abordam conceitos marxistas sem qualquer sentido filosófico e economicamente nada desenvolvidos. Quando falo neste termo não me refiro que não se deva ler Marx (apesar de todos os seus erros, pois quem lê Marx desconhece um grande crítico no sentido filosófico: Ludwig von Mises na “Teoria e História”), mas usam termos marxistas sem qualquer sentido. Especialmente quando o grande Mises foi um filósofo fascinante, pela sua epistemologia da economia, na sua interpretação do a priori kantiano para a teoria da acção humana, para a filosofia da economia e para a filosofia política. Academicamente são autores defensores da democracia, quando não vêm os seus erros e os seus perigos, isto é, quando eles defendem a democracia descuram a economia de mercado, ou especialmente as decisões individuais de cada pessoa. Democracia é o braço do estatismo, no entanto, tais autores defendem uma forma diferente da democracia que hoje em dia temos, são tão completos que não sabem explicar o que não querem. Como são doutos doutores pensam que as pessoas farão o que eles desejam. As pessoas não se interessam por filosofia ou áreas afins não querem saber da democracia, mas querem uma vida boa, sem a preocupação com a política. Pessoalmente não quero saber de nada destes doutos doutores que tudo pensam, que escrevem livros mas que nada de jeito dizem. Tudo o que escrevem pode ser filosoficamente relevante, mas não atendem às necessidades do que as pessoas desejam, não abordam a divisão do trabalho, nem a teoria da propriedade, nem o princípio da não-agressão. Quando dizem que os impostos não são um roubo é natural, pois é graças a esse roubo que eles conseguem os salários, com isso escrevem livros e conseguem dinheiro para as bolsas de doutoramento.

Poderá o leitor perguntar: porque estudas numa escola pública? Nunca gostei da ideologia que me foi ensinada. Do pouco que se falava de filosofia política apenas se abordava Rawls (isto no que se refere a autores do século XX – de Nozick apenas falamos 5 minutos), com imensos erros na sua argumentação e claro um defensor da social-democracia. É sempre um desafio interessante estudar a teoria política austríaca numa escola pública, pois todos são anti-liberais, na qual terei que reforçar os meus argumentos para os poder criticar realmente.

Os doutos doutores que tudo pensam, que abordam todos os temas do mundo, que sabem tudo sobre tudo, nada sabem sobre a teoria austríaca. Não percebem a necessidade do empresário; antes disso defendem a regulação, a taxação e o roubo constante. Essas pessoas defendem a ditadura da maioria, defendem a mudança do estatismo actual por um bem pior, uma Venezuela em Portugal. São os herdeiros do maio de 68, são herdeiros da maior roubalheira que existe deste sempre: os impostos. A pergunta para um milhão de euros seria: sem os impostos como esses doutos doutores sobreviviam? Sem esses impostos como poderiam defendem as suas teorias?

Além de defenderem a social-democracia e o marxismo que em si mesmo são um erro, não promovem o real debate. A troca de ideias salutares não existe, pois um liberal está nos antípodas de um fascista. Como esses doutos doutores são marxistas nunca se aperceberem que economicamente o socialismo que defendem e o fascismo são muito próximos. Claro que os outros, os sociais-democratas, são o maior perigo hoje em dia, pois misturam o socialismo que é entendido como um erro intelectual com a democracia que é uma forma de instituir o roubo à mão armada.

Existem problemas na argumentação de muitos liberais, libertários e anarco-capitalistas, dizer o contrário é descurar a história da filosofia política, mas os erros dos autores que estudo e leio são minimizados pela sua justificação da justiça, da propriedade, da liberdade e da ausência de estado.

É claro como mencionou Rothbard que os intelectuais são o braço do estado, são os que ajudam a que o estado funcione, pois são os seus guarda-costas intelectuais. De facto são esses doutores, que tudo sabem e tudo desconhecem que ajudam a promover um saque armado sobre as pessoas, são esses que defendem os subsídios e toda a política intervencionista. Os doutos doutores são sim ignorantes na teoria política e económica: não conhecem Hayek, Rothbard, Mises e Hoppe; desconhecendo uma teoria tão rica. É em larga medida descurar uma tradição com 5 séculos, que se iniciou em Salamanca e Coimbra: infelizmente descuram tudo isso.

Finalizo este artigo de opinião considerando que é importante, independentemente do local onde se estude, que nunca se descurem as ideias da liberdade, que se verifiquem os erros da opinião vigente. Temos que refrescar os argumentos miseanos e rothbardianos para os continuarmos a vencer pelas ideias, tal como esses autores o fizeram na sua altura (refiro-me especialmente quando Mises escreveu “Socialismo” e refutou economicamente os erros dessa douta doutrina; Rothbard teve um papel fundamental para explicar a origem da crise americana de 1929). Não estudo ideologia política, mas uma tradição filosófica fundamental com argumentos desenvolvidos que evitam os erros desses doutos doutores.

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Jóni Coelho