Direito de Secessão

Contrariamente ao que o título indica, não falarei do direito de secessão. Não falarei do direito de secessão a nível político, económico, jurídico ou cultural.

Falarei da secessão ao nível individual. Com os nossos próximos mais imediatos.

 Este texto tem um teor altamente pessoal, íntimo mesmo. No passado 12 de Agosto completei 25 anos de vida. Estes 25 anos foram marcados por, no mínimo, 5 anos de uma solidão extremamente difícil.

 Durante um período da minha vida fui rejeitado pelos meus colegas da escola. Quando não me ignoravam faziam pouco de mim. É certo que penso ter alguma responsabilidade nessa situação; disse algumas palavras que não deveriam ter sido ditas. No entanto creio que o que paguei ultrapassou em larga medida os meus pecados.

 E por causa dessa situação passei os anos seguintes a tentar agradar, ou no mínimo não desagradar aos outros. Tentei ser alguém de mais simpático, compreensível, generoso e com quem se podia rir à vontade, para tentar de fugir da solidão.

 Resultou? Mais ao menos, no entanto continuou em larga medida a ser aquele que chama mais que a ser chamado, continuo a ser aquele que pergunta se tudo vai bem que a quem perguntam, continuo a ser aquele que tenta oferecer mais sorrisos que os que recebe em troca.

 E apesar disso, ainda recebi críticas, fui insultado, desprezado. Sofri duas depressões depois de dois amores traídos

 Enquanto escrevia isto chorei, nem sei bem por quê.

 Mas eu suspeito que há muitos que por este mundo fora sofreram, sofrem e sofrerão o que eu sofri, quando não pior.

 Ora hoje em dia, passado 25 anos, feliz gostaria de partilhar as minhas constatações convosco:

 Abraçam os vossos medos, assumam-nos, e avançai para a secessão. Façam secessão dos vossos “amigos”, “namorados”, “esposos”, “familiares”, “colegas” que vos estragam a vida. Que vos empatam. Que vos insultam. Que vos ridicularizam.

 Que vos destroem.

 Oh eu sei a que ponto isso é difícil. Eu sei a que ponto não é simples.

 Mas aguentem, não cedam. Há por esse mundo, senão mesmo agora, quem merece o vosso empenho e amor. Há por esse mundo melhores oportunidades. Mais, nunca poderão salvar os outros, se isso vos interessar, se não forem capazes de vos ajudar a vos próprios.

São escassas as pessoas que merecem o vosso empenho. Se tiverem mais de cinco podem dar-se por muito contentes.

 Em todo caso continuem a progredir. Continuem a melhorar. Continuem a aguentar. Assumam o medo, e avançai. Avançai. E nunca se esqueçam que os esforços são sempre penosos, numerosos, e as recompensas parecem sempre pequenas ao lado. Mas não faz mal. Quando se a recebe, já esquecemos o esforço. E um dia nem sequer se darão conta do esforço apesar de não haver nenhuma recompensa imediatamente à vossa frente.

 Ou melhor, o dia em que isso acontecer, acho que terão encontrado a Felicidade.

 Façam secessão.

 Sejam livres.

 Este texto é dedicado ao Dimas Pereira, Deus chamou-te demasiado novo.

https://m.youtube.com/watch?v=j4BdQTT69GQ

 

About the author

André Pereira Gonçalves

Colaborador do Instituto Ludwig von Mises Portugal, estudante em Direito na Universidade de Friburgo (Suíça), anarco-capitalista jusnaturalista.