O Salário Mínimo

Quando algum encanamento da nossa casa entope qual é o procedimento padrão que normalmente seguimos?

Normalmente fazemos um levantamento de preços com vários especialistas na área e contratamos aquele que tem o melhor preço. Se todos os preços forem altos, a maioria de nós vai preferir fazer o serviço por conta própria. O mercado de trabalho funciona exatamente da mesma forma. Antes de contratar outro empregado, o empregador precisa de estar certo de que esse novo empregado irá trazer um acréscimo de produtividade que exceda esse custo suplementar.

Se um trabalhador pouco qualificado for capaz de contribuir com apenas 6 euros por hora em termos de aumento de produtividade é óbvio que esse mesmo indivíduo estará desempregado caso o salário mínimo seja fixado em 7,50 euros por hora.

Os trabalhadores pouco qualificados precisam de lutar pelo dinheiro do empregador e para isso eles têm de disputar tanto com os trabalhadores qualificados quanto com o capital (o maquinário). Por exemplo, se um trabalhador qualificado cobra 14 euros por hora para fazer um serviço que dois trabalhadores menos qualificados cobram 6,50 euros cada, seria economicamente sensato um empregador contratar a mão-de-obra menos qualificada. Mas vamos imaginar que o governo aumenta o salário mínimo para 7,50 euros à hora, esses trabalhadores menos qualificados serão então os prejudicados, ficando assim sem trabalho.

Os empregadores têm a opção de utilizar máquinas ao invés de empregar pessoas, o que pode ser um grande problema. Por exemplo, um empregador pode contratar uma recepcionista ou investir num sistema de atendimento automatizado. Um exemplo que já podemos ver em Portugal e em outros países ao redor do mundo são as famosas senhoras da caixa a serem substituídas por scanners automáticos em que se utiliza o pagamento por cartão de credito para pagar as nossas compras; isto faz com que a velha ajuda a empacotar as nossas compras por parte da senhora da caixa desapareça, tudo graças ao salário mínimo; o empregador decide investir antes em maquinaria do que num ser humano que poderia estar ali a ganhar algum dinheiro.

Nós os mais jovens podemos até ser capazes de empacotar as nossas próprias compras, mas e as pessoas de mais idade? E as pessoas que sofrem de alguma deficiência física que as impossibilita de realizar tal acto?

O desaparecimento de empregos como o da senhora da caixa que acabei de referir traz consequências econômicas e sociais devastadoras. Os primeiros empregos que conseguimos são um meio de aperfeiçoarmos as nossas habilidades, de modo que trabalhadores menos habilidosos possam adquirir experiência e com isso oferecer maior produtividade para os seus empregadores atuais ou futuros. À medida que suas habilidades aumentam, o mesmo ocorre com a sua capacidade de obter salários maiores. Entretanto, se removermos o degrau mais baixo da escada do mercado de trabalho muitos nunca mais terão a chance de subir nele e isso é exatamente o que o salário mínimo faz.

Além do mais o salário mínimo em Portugal não serve para manter uma família no nosso país. Empregos de baixos salários servem para capacitar os trabalhadores a com o tempo adquirirem as habilidades necessárias que os permitirão ganhar salários altos o suficiente para sustentar uma família.

O salário mínimo deixa os trabalhadores menos qualificados, pouco qualificados, isso é um facto.

 

 

 

About the author

Tiago Paredes

Colaborador do Instituto Ludwig von Mises Portugal, estudante de Programação de sistemas informáticos, Libertário.