Felizes e drogados

Texto lido:  https://www.youtube.com/watch?v=l9lpSRRrspg

O Banco de Portugal publicou dia 1 de Junho de 2017 a sua nota de informação estatística para a dívida pública[1].

Eis o que aprendemos:  “Neste período, a dívida pública situou-se em 247,4 mil milhões de euros (Gráfico 1), aumentando 3,9 mil milhões de euros relativamente ao final de março (Gráfico 2).”

2,2 pontos de PIB num mês![2]

A dívida do Estado aumentou 2,2 pontos da riqueza nacional em apenas 1 mês!!!

Isto enquanto:

– O PIB aumenta 2,8%, cerca de 5.000 milhões… num ano… E estou a falar de previsões…

Para quem não entender o que se está a passar, é o mesmo que um membro da vossa família ter acumulado num único mês 400 euros de dívida, enquanto a família prevê ganhar 500 a mais no fim do ano… E a dívida do seu familiar já anda nos 24.700 euros, isto quando os rendimentos de toda a família serão de… 17.800…

– As receitas do Estado deverão ser de 80.000 milhões para este ano[3]. Num único mês, o Estado endividou-se a altura de 4,87% dos seus rendimentos…

Tomando o mesmo exemplo de cima, imaginem o vosso familiar endividado que ganha 8.000 euros anuais, ou 666 euros mensais. O mês passado fez uma dívida de… 500 euros… Enquanto tem 24.700 euros ainda por pagar (ou seja 3 anos de rendimentos só a pagar o capital)…

Agora deixo-vos imaginar o que acontecerá quando as taxas de juro voltarem a aumentar…

Por consequente já sabem: façam tudo para não depender do Estado. Começai a ponderar a ideia de retirar todas vossas poupanças dos bancos para comprar ouro, prata, cripto-moedas etc. Vender os vossos prédios também é uma opção a imaginar.

Porquê? Porque o Estado está particularmente atento a isso. Tem meios para chegar a esses bens. Ora se é difícil esconder rendimentos, já é mais fácil esconder esses activos.

Felizmente, e contrariamente a 2011, temos hoje uma economia mais pujante, mais exportadora e menos dependente do Estado. Assim um estoiro do mesmo poderá não ter as consequências dramáticas que vivemos a seguir 2011 (e direi mesmo a seguir 2001, a crise já vinha de trás).
O Governo pode vir a aumentar os impostos, inventar novos, mas até agora demostrou uma nota de sensatez que é de tocar pouco nas reformas feitas pelo anterior Governo (fez algumas mudanças miseráveis, mas o essencial está salvo).

Quando é que haverá um estoiro do Estado? Não faço a mínima ideia.

Poderá não acontecer? Poderá, a duas condições não cumultativas:

  • Cortes brutais no Estado que permitem realizar excedentes que diminuíem a dívida;
  • Liberalização em força da economia e da sociedade, de forma a que o crescimento consiga sustentar o Estado.

Os estímulos do BCE não durarão toda à vida, e não são eles que protegerão o Estado de uma falência. Nunca se curou um cancro com heroína.

[1] https://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/documentos-relacionados/dividapublica_201704.pdf
[2] http://www.pordata.pt/Portugal/PIB+e+PIB+per+capita+a+pre%c3%a7os+constantes+(base+2011)-2953

Sendo o crescimento previsto para 2017 de 2,8%, isto significa que o PIB estará nos 178.000 milhões de euros. Ora se a dívida aumenta 4.000 milhões num mês, 4.000 a dividir por 178.000 dá 2,2.

[3] http://www.pordata.pt/Portugal/Administra%c3%a7%c3%b5es+P%c3%bablicas+despesas++receitas+e+d%c3%a9fice+excedente+(base+2011)-2784

O Governo não parece estar interessado em diminuir muito o défice, assim que penso que ultrapassaremos os 80.000 milhões de receita.

About the author

André Pereira Gonçalves

Colaborador do Instituto Ludwig von Mises Portugal, estudante em Direito na Universidade de Friburgo (Suíça), anarco-capitalista jusnaturalista.