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Menos liberdade económica equivale a mais desigualdades sociais.

Os políticos que visam reduzir as desigualdades tornam-nas pior.

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=2TeE0reHW0k

Traduzido de : http://reason.com/archives/2015/02/20/less-economic-freedom-equals-more-income

Autor : Ronald Bailey

Data : 20 de fevreiro de 2015

 

As desigualdades de rendimentos têm atraído a atenção dos políticos, apaixonados por política, peritos e do público. Em 2013, o Presidente Barack Obama declarou que “a crescente e perigosa desigualdade” é o “maior desafio da actualidade”. No programa 60 Minutes do passado mês, o locutor da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner argumentou que “as políticas do Presidente aumentaram as desigualdades”. O senador Mike Lee do Utah disse que “os Estados Unidos foram assolados por uma crise de desigualdades” e que “um Estado maior não é a solução às oportunidades desiguais – é a causa”.

 

No seu discurso de 2013, Obama afirmou, “Nós temos de afastar a crença que o Estado nada pode fazer para reduzir a desigualdade.” Ele tem razão, mas não no sentido que ele pensa. Vários estudos económicos recentes demonstram que a melhor coisa que o Estado pode fazer para reduzir as desigualdades de rendimento é não intervir.

 

Por exemplo, de acordo com um estudo publicado na Contemporary Economic Policy pelo economista da Universidade estadual do Illinois Oguzhan Dincer e a sua equipa, comparando os resultados de todos os Estados americanos em Janeiro de 2014 concluiu-se que a redução da liberdade económica tende a aumentar as desigualdades. “Em média, quanto maior for o Estado, maior serão as desigualdades de rendimentos”, contou Dincer à Reason.

 

Os autores usaram o método da causalidade de Granger. De forma simples, trata-se de um círculo vicioso, as intervenções estatais produzem desigualdades sociais, que por sua vez produzem mais intervenções estatais. Os políticos costumam reagir ao aumento das desigualdades com políticas que, em média, acabam por tornar as desigualdades maiores. (Isso não significa que certas políticas, como aumentar a taxa dos escalões mais altos, não podem reduzir a desigualdade. Mas, tomando-as como um todo, o efeito vai na direção oposta).

 

Primeiro considere o cenário principal. Os esquerdistas costumam citar uma série de dados que mostram que as desigualdades de rendimentos diminuíram durante as décadas de 1950 e 1960. A tendência parece seguir a hipótese proposta pelo economista Simon Kuznets. Logo que o crescimento económico arranca, Kuznets afirma que as desigualdades começam por aumentar por causa da transferência de alguns trabalhadores dos sectores menos produtivos para os mais produtivos. Como os sectores mais produtivos absorvem uma proporção crescente de trabalhadores, as desigualdades de rendimentos começam a reduzir-se, criando o famoso U invertido que simboliza a relação entre desigualdade de rendimentos e crescimento económico.

A última vez que a desigualdade de rendimentos atingiu o seu pico foi em 1929, antes da Grande Depressão, quando o coeficiente de Gini, que mede as desigualdades de rendimento, atingiu os 0,450 (Se os rendimentos fossem divididos de forma igual o coeficiente de Gini seria de 0. Se uma pessoa dispusesse de todos os rendimentos o coeficiente seria de 1). As desigualdades reduziram-se durante o período de calamidade económica que foi a Depressão e continuaram a baixar, como Kuznets o previu, quando a economia americana se expandiu depois da Segunda Guerra Mundial. O coeficiente atingiu o seu valor mais baixo em 1968, a 0,386. A partir de aí, segundo dados da Reserva Federal de São Luís, o coeficiente de Gini começou a aumentar. Em 1980 atingiu os 0,408, em 1990 estava nos 0,428, em 2000 nos 0,462, em 2010 subiu para os 0,470 e em 2013 ascendeu aos 0,476.

 

Um centro de estudos liberais canadiano, o Instituto Fraser, publica um relatório anual sobre a liberdade económica na América do Norte, que analisa como cada estado americano e cada província canadiana age em matérias de taxação, gastos estatais e mercado laboral. O estudo de Dincer analisou a relação entre liberdade económica e desigualdades de rendimento nos estados entre 1981 e 2004, chegando à conclusão que “a liberdade económica reduz as desigualdades quer no curto como longo prazo”.

 

Para comprovarmos a veracidade dessas palavras, comparemos os oito estados com maior liberdade económica com os oito com menor desempenho nesse índice. Os oito estados com maior liberdade económica, com valores indo de 7,8 a 7,1, são o Texas, Dakota do Sul, Dakota do Norte, Virgínia, Nova Hampshire, Louisiana, Nebrasca e Delaware. Os oito estados com resultados mais baixos, de 5,2 a 5,8, são o Maine, Vermont, Mississippi, Nova Iorque, Rhode Island, Virgínia Ocidental, Nova Jersey e Califórnia. Segundo os censos do Governo federal sobre o coeficiente de Gini em 2012, descobrimos que o grupo dos mais economicamente liberais realiza uma média de 0,452 enquanto o grupo menos liberal atinge um resultado de 0,469. Por outras palavras, as desigualdades sociais são maiores nos estados menos economicamente liberais.

 

Nota : Dincer aponta que um vasto leque de informações é perdida quando se utiliza estatísticas sumárias como o índice de liberdade. Ainda assim, um padrão global pode ser detetado. “Eu penso que a relação entre maior desigualdade e menor liberdade económica é uma indicação de a que ponto os governos estaduais estão geridos,” sugere Dincer.

 

Um estudo de 2013 publicado no The Journal of Regional Analysis and Policy por economistas da Universidade de Ohio e da Universidade estadual da Flórida confirma as descobertas de Dincer. Esse estudo, que utiliza igualmente o índice de liberdade económica do Instituto Fraser, identificou uma relação do estilo da curva de Kuznets entre o aumento de liberdade económica e as suas influências sobre as desigualdades de rendimento.

 

A análise “sugere que quando começamos a liberalizar uma economia muito interventiva, as classes mais favorecidas beneficiam mais que as classes mais carenciadas o que aumenta as desigualdades; no entanto se as liberalizações forem mantidas, as desigualdades sociais começam a inverterem-se e as classes mais pobres veem os seus rendimentos crescer acima dos rendimentos das classes mais ricas.”

No seu estudo, Dincer e os seus colegas lembram que “estudos prévios demonstraram existir uma relação positiva entre liberdade económica e rendimento por habitante”. Em Novembro passado, o economista Travis Wiseman, da Universidade estatal do Mississippi, descobriu que, mantendo tudo o resto igual, um ponto de aumento no índice de liberdade económica da América do Norte do Instituto Fraser está associado a um aumento de 8.156$ nos rendimentos médios.

 

A conclusão mais estupenda do estudo de Dincer é que “os resultados sugerem que um nível elevado de desigualdades de rendimentos leva os Estados a implementarem políticas redistributivas que resultam no declínio da liberdade económica. Ora quanto mais a liberdade económica diminui, mais as desigualdades de rendimentos aumentam. Por outras palavras, será muito provável os Estados caírem no círculo vicioso de aumentos de desigualdades e maior redistribuição”. Infelizmente, os números do Instituto Fraser mostram que a liberdade económica declinou em todos os Estados desde 2000.

 

Desta forma, o coeficiente de Gini aumentou nos 8 Estados menos livres, de uma média de 0,447 para 0,469, durante esse período.

 

Em contraste, o coeficiente de Gini aumentou a um ritmo inferior, de uma média de 0,439 para 0,452, nos 8 Estados mais livres. Por outras palavras, o país inteiro parece ter-se deixado arrastar para uma espiral negativa em que a quebra da liberdade económica produz maiores desigualdades.

About the author

André Pereira Gonçalves

Colaborador do Instituto Ludwig von Mises Portugal, estudante em Direito na Universidade de Friburgo (Suíça), anarco-capitalista jusnaturalista.